O tremendismo de Francisco Louçã, ou o regabofe socialista está a chegar ao fim

Antes de se saber se o liberalismo é melhor do que o socialismo, ou vice versa, o que os portugueses precisam saber é se Portugal pode ser auto-sustentável, como sociedade e como nação, dentro do Euro. Este é o problema anterior a qualquer ideologia política e económica, seja ela liberal ou socialista.


Acontece que nós (portugueses) estamos hoje pior do que estávamos em 1999, quando Portugal aderiu à moeda única. Existe de facto uma ilusão de que estamos melhor, por duas razões: a primeira é o défice do Estado e a dívida pública, que ainda alimentam a circulação de dinheiro na economia. E a segunda ilusão são os gadgets tecnológicos – a Internet, os telemóveis, os IPAD, etc – que incutem nas pessoas a ideia segundo a qual esses gadgets não existiriam em Portugal se não fosse o Euro; o Euro é associado aos commodities.

E estamos hoje pior porque a economia portuguesa é hoje menos auto-sustentável do que era em 1999. O Euro não melhorou a performance ou o comportamento da economia portuguesa: pelo contrário, desmobilizou a classe empresarial face ao facilitismo cultural, incutido pelo Euro, de comprar tudo feito na Alemanha e noutros países do directório europeu.

Durante 10 anos de Euro, era muito mais fácil pedir dinheiro emprestado ao Banco para fazer férias nas Maldivas ou nas Bahamas, ou pedir dinheiro emprestado para comprar um automóvel novo, ou um LCD e toda a parafernália de aparelhos electrónicos que enfeitam uma casa – do que pedir dinheiro emprestado ao Banco para investir em PME (pequenas e médias empresas). Na linha imposta pela Alemanha e pelo directório europeu, os Bancos portugueses davam prioridade ao consumo em detrimento do investimento produtivo.

Se existir uma saída ordenada e coordenada do Euro, a narrativa tremendista de Francisco Louçã não faz sentido.

Podemos sair do Euro de duas maneiras: ou através de um golpe-de-estado que envie Francisco Louçã e outros para as masmorras (onde, diga-se, estariam bem melhor do que cá fora!), ou através de uma saída ordenada e coordenada com o BCE [Banco Central Europeu] que acabe com o regabofe socialista em Portugal. Nenhuma dessas maneiras agrada a Francisco Louçã, porque sendo trotskista, ele vê no Euro a possibilidade da revolução a nível europeu. A esquerda radical vê no Euro e na União Europeia instrumentos da revolução que extravasem as fronteiras portuguesas e que, por isso, impeçam qualquer possibilidade de contra-revolução interna.

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