Precisamos de compromissos, e não de reformas

“Revolucionário ou reformador – o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível.” – Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

Seria bom que, em vez de ouvirmos os políticos dizer que “precisamos de reformas”, dissessem que “precisamos de compromissos”. A reforma, tal qual entendida pela política, não é compromisso.

Uma reforma é uma acção revolucionária embora faseada e prolongada no tempo. E as revoluções podem ser de esquerda ou de direita – também existem revolucionários de direita, como por exemplo, Hayek.
Karl Marx – ao contrário do que foi, mais tarde, feito pelos bolcheviques – defendeu a ideia segundo a qual a implantação do comunismo poderia demorar séculos e mediante reformas. O que está acontecer hoje na área de educação e ensino é uma reforma de Passos Coelho — que já vem de José Sócrates — no sentido em que a escola é vista como “uma empresa cujo objectivo social é dar lucro”.

O que está a acontecer, hoje, em Portugal na área do ensino e educação é o confronto entre duas estirpes de reformadores: uns que querem transformar o ensino de crianças em uma actividade essencialmente comercial e lucrativa, e outros que querem transformar a escola e as crianças em um instrumento de implantação de um totalitarismo neomarxista. Nos dois casos, a escola é vista como um meio e não como um fim em si mesma.

A reforma é sempre imposta por uma elite de auto-iluminados que quer “modificar os outros” sem se modificar a si mesma, e sem negociação séria com a sociedade civil. A reforma – seja de esquerda ou de direita – não tem respeito pela família, que é a instituição de base da sociedade, e por isso não respeita a pessoa reduzindo-a ao indivíduo.

Vamos eliminar a palavra “reforma” do léxico político, e substituí-la pela palavra “compromisso”. Queremos fazer compromissos, e não reformas.

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