O ressurgimento de Augusto Comte na União Europeia

« Num artigo do Público, de 27 de Junho de 2013, Ana Matos Pires defende que «os afectos não têm género e a parentalidade não está nos gâmetas», pelo que deve desconhecer, entre outros, o amor de mãe. Em abono da sua revolucionária tese, invoca nada mais nem nada menos do que dez instituições! Por sinal, todas norte-americanas e, seguramente, muito ilustres por essas bandas mas, se calhar, tão credíveis quanto o são, por cá, os «professores» Karamba, Bambo, Issa, Laminé, Mamadu, Marufe e Sidico, o qual, segundo o próprio, é «o melhor cientista que actua em Portugal e na Europa em ciências ocultas». Muito ocultas, de facto.

Os estudos científicos valem muito, como é óbvio. Mas valem o que valem as pessoas que os fazem. Todos os totalitarismos têm também os seus cientistas de serviço, dispostos a jurarem a inevitabilidade científica das teorias do poder. A tese da superioridade da raça ariana e da inferioridade dos judeus teve foros de verdade científica, na Alemanha nazi. Também o socialismo soviético tinha pretensões científicas, por contraste com o socialismo utópico, dos pré-marxistas. Entre nós, a rapaziada anticlerical da 1ª República, antes de expulsar os jesuítas, mediu-lhes os crânios, para assim atestar, cientificamente, a sua índole criminosa … »

(ler o resto, da autoria do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada)

O que me preocupa não é a esquerda radical marxista, porque dela não poderíamos esperar outra coisa: antes, é a social-democracia que me preocupa, nomeadamente o Partido Socialista e o Partido Social Democrata que fazem ressuscitar Augusto Comte no século XXI. A actual teoria política dos socialistas é de tal forma identificável com o positivismo de Comte que esse facto não pode ser ignorado.

A ideia segundo a qual a ciência – mesmo que se trate de verdadeira ciência – pode fundamentar valores éticos e uma “religião laica”, foi negada por todos os filósofos dignos desse nome – incluindo o ex-comunista Edgar Morin! Mas quando a ciência é manipulada pela política, estamos em presença do cientismo e do ressurgimento de Augusto Comte; verificamos hoje um recuo filosófico e sobretudo ético de mais de 150 anos!.

O que está a acontecer na União Europeia é inacreditável, pela sua irracionalidade.

Rebater a ideia segundo a qual «os afectos não têm género e a parentalidade não está nos gâmetas» é a mesma coisa que rebater, por exemplo, a ideia de alguém, douto e imbuído de uma putativa autoridade de direito, segundo a qual 1+1=5. Se um matemático formado numa universidade nos diz que 1+1=5, esbugalhamos os olhos, encolhemos os ombros, ficamos perplexos e sem palavras.

Ou, é uma situação semelhante à de rebater a ideia de alguém que defende a negação da auto-evidência do Tempo. Ou alguém que negue o axioma da circularidade do círculo. Ficamos abestalhados!

Perante a negação, dita “científica”, de algo que não só é evidente como até auto-evidente, ficamos perplexos e entramos em dissonância cognitiva. Seria como se alguém nos dissesse:

“a ciência chegou à conclusão de que a cor amarela é vermelha”:

perante esta proposição, e incapazes de recusar o poder absoluto da ciência, passamos a negar a nossa própria capacidade de conhecimento da realidade. É isto que está em causa: uma elite que pretende recusar, às “massas”, o direito aos princípios mais básicos do conhecimento.

O Partido Socialista vai pagar isto com língua de palmo. É a própria democracia que começa a estar em perigo – não por esta lei em concreto, mas antes pelo princípio seguido no processo de promulgação das leis. “Quem faz um cesto, faz um cento“; e “Tantas vezes vai o cântaro à fonte que deixa lá ficar a asa”. É o princípio seguido da irracionalização das massas que será o verdugo não só dos acólitos maçónicos e socialistas, mas também da própria democracia. E eu não quero estar por aqui quando isso acontecer.

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