Feminismo: “quem aborta não é sempre uma mulher”

Uma feminista que dá pelo nome de Lauren Rankin, e que alegadamente é “a feminist writer and activist, and is a current graduate student in Women’s and Gender Studies at Rutgers University”, escreveu aqui o seguinte:

« The last month has been particularly brutal for abortion rights activists and women’s health advocates, as state after state has proposed and/or passed various bills that restrict abortion access and undermine abortion care. In response, there has been a re-energized reproductive rights movement, with many across the nation stating that they “Stand With Texas Women” or “Stand With North Carolina Women.” But in this response, abortion rights activists have overlooked and dismissed a very important reality: Not everyone who has an abortion is a woman.

Abortion is so often framed as a women’s issue by both those who advocate for abortion rights and those who seek to dismiss abortion as frivolous. And for abortion rights, a movement that took root in the late 1960s and early 1970s, this makes sense. Prior to a deeper understanding and problematizing of gender and the way that it works, in our social construction, only women had abortions because only women could get pregnant. But in 2013, we should know better, and we need to do better. »

Em suma, segundo o texto, há seres humanos que parem mas que não são mulheres; e, por isso, nem sempre quem aborta é mulher. Por exemplo, uma “mulher que diz que é homem” não é mulher, e por isso, quando essa “mulher que diz que é homem” aborta, não se trata de uma aborto de uma mulher, mas antes trata-se de um aborto de uma mulher que diz que ela própria é homem.

Ou seja, há homens com útero e ovários. E há mulheres com pénis e testículos, e estas últimas são mulheres que não abortam. Em contraponto, os homens com útero e ovários já abortam. Há mulheres que não abortam por determinismo biológico porque têm pénis e testículos, e há homens que, por um determinismo biológico e porque têm útero e ovários, já têm o “direito” a abortar.

Portanto, o aborto não depende do determinismo biológico. Mas, em contrapartida, depende do determinismo biológico. O que se passa é que o determinismo biológico não é o determinismo biológico: em vez disso, é o determinismo biológico.

O determinismo biológico é uma construção social excepto quando não é uma construção social. E a biologia já não é uma construção social quando é determinante na construção do conceito segundo o qual há pessoas que parem e não são mulheres.

Eu tenho extrema dificuldade em classificar “isto” sem recorrer ao psiquiatra Júlio Machado Vaz, que deverá ter concerteza uma tese genial para explicar “aquilo”. Só lentes académicos, como por exemplo Lauren Rankin ou Júlio Machado Vaz, têm a capacidade de explicar coisas tão complexas quanto estas.

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