O termo “fascismo” é uma “palavra total”

O termo “fascismo” é uma “palavra total”.

Alguém que baseie a sua mundividência política – e de concepção de Estado – no conceito de “vontade geral” de Rousseau não pode ser, por definição, conservador.

As “palavras totais” eram as palavras utilizadas pelo homem do paleolítico na sua simplicidade de cobrir nexos de significado maiores e comparáveis às imagens existentes – por exemplo, um quadrado gravado numa pedra – representando, em esboços básicos e rudimentares, uma mundividência abrangente. A “palavra total” é hoje uma espécie de slogan que simplifica o que é, em si mesmo, complexo. O politicamente correcto é o domínio da “palavra total” por excelência; é uma espécie de espaço cultural de reificação do homem do paleolítico moderno.

O “fascismo” surgiu em Itália liderado por Mussolini que foi um militante relapso do Partido Socialista italiano (PSI). Embora não fosse um partido marxista, o PSI seguia as linhas de orientação ideológica do socialismo francês do século XIX (fortemente influenciado pela maçonaria irregular francesa, nomeadamente do Grande Oriente de França) que, entre outras características, defendia um Estado plenipotenciário e intrusivo em relação à vida privada dos cidadãos. Por outro lado, no fascismo original (o de Mussolini), as classes dominantes (a aristocracia e os grandes latifundiários) controlavam a burguesia e limitavam a chamada “economia de mercado” (entendida aqui como o clássico “laissez faire, laissez passer”). Portanto, na Itália de Mussolini, não podemos falar propriamente em “economia de mercado” (como a que existia, por exemplo, na mesma época, nos Estados Unidos), por um lado, e por outro lado não podemos afirmar que o fascismo de Mussolini era “liberal” em qualquer sentido – seja no sentido da economia, seja no sentido da cultura, etc..

A condição do conservadorismo é a recusa apriorística das ideias de Rousseau.

Mas também não podemos dizer que o fascismo de Mussolini era conservador, porque o próprio fascismo (o de Mussolini) era uma vergôntea ideológica de Rousseau e um produto do movimento revolucionário. Alguém que baseie a sua mundividência política – e de concepção de Estado – no conceito de “vontade geral” de Rousseau , não só não pode ser, por definição, conservador, como é de facto de esquerda (“esquerda” entendida no sentido de desenvolvimento histórico do “movimento revolucionário”). O fascismo de Mussolini, assim como o comunismo de Estaline, foram vergônteas de Rousseau. A condição do conservadorismo é a recusa apriorística das ideias de Rousseau.

Por isso, é um absurdo falar em “liberal-fascismo” a não ser quando aplicado ao conceito (polémico) expresso no livro de Jonah Goldberg . Os regimes do Chile e da Argentina, a que o artigo faz referência , foram outras facetas do desenvolvimento do movimento revolucionário que obedecem, por sua própria natureza, a Rousseau e em detrimento de Locke.

O que podemos falar, hoje, é de sinificação de alguns países e/ou de regiões do globo. Mas a sinificação também não significa a existência de uma economia de mercado propriamente dita que é, por definição, uma economia razoavelmente aberta ao exterior. Por definição, nenhuma ditadura ou regime totalitário pode conter em si uma economia de mercado: basta ler Stuart Mill (embora eu não concorde com tudo o que ele escreveu) para perceber que o conceito de “liberal-fascismo” é uma contradição em termos.

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