Santo Agostinho desconstrói o Positivismo

Um dos figurões do neopositivimo foi Rudolfo Carnap, que ficou célebre por ter transformado o Direito Positivo na total aberração discricionária, arbitrária e elitista que vemos hoje através de muitas leis absurdas emanadas da assembleia da república. Por outro lado, Santo Agostinho é hoje considerado uma figura ultrapassada, fora de moda e mesmo ridícula, uma espécie de Velho da Montanha que “só pensa coisas velhas”.santo-agostinho-300-web.jpg

O neopositivimo de Carnap – e dos seus compagnons de route do Círculo de Viena – é hoje (ainda) o paradigma do pensamento válido, mesmo que alguém negue esse paradigma. O neopositivimo está de tal forma arreigado à forma de pensar do homem moderno que é muito difícil eliminar a sua influência.

Segundo Carnap, tudo aquilo que está para além da objectividade deve ser considerado necessariamente como absurdo ou como um problema aparente. E só aquilo que é percebido pelos sentidos pode ser considerado conhecimento seguro. E, no campo da ciência propriamente dita, o neopositivimo abraça o conceito segundo o qual “a significação é a verificação”, e, por isso, tudo que não pode ser verificado não tem significado.

Santo Agostinho coloca os neopositivistas numa situação muito delicada, e apenas utilizando a lógica. “¿Quem sou eu?” – pergunta Santo Agostinho.

Em primeiro lugar, sou sempre eu a pensar alguma coisa acerca de mim próprio. Por isso, sou logicamente sempre mais do que aquilo que penso de mim mesmo, uma vez que me dividi: por um lado, sou aquilo que penso sobre mim, ou seja, sou o conteúdo do meu pensamento; mas, por outro lado, sou aquele que pensa esse mesmo conteúdo.

O conteúdo do pensamento é um objecto – é uma coisa -, mas o pensamento activo desse conteúdo não é um objecto. Por um lado, eu sou um objecto em relação a mim mesmo, na medida em que sou uma coisa acerca da qual eu penso; mas, por outro lado, sou sujeito que pensa sobre si próprio. O conteúdo do meu pensamento acerca de mim próprio é incompleto, e por isso não é suficiente para me definir: sou sempre mais do que aquilo que penso sobre mim.

Perante este raciocínio de um indivíduo do século V d.C., os neopositivistas – os modernos, em geral – fazem figura de estúpidos. Aliás, são mesmo estúpidos, porque nem sequer podem aparecer no mundo que eles próprios definiram.

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