Júlio Machado Vaz, Urbano Tavares Rodrigues, e a “desmistificação” da vida humana

Quando um psiquiatra se mete na filosofia, sai disto . Naturalmente que Júlio Machado Vaz cita Urbano Tavares Rodrigues; mas vai dar no mesmo. O textículo também serve para demonstrar a indigência intelectual de Urbano Tavares Rodrigues (o rei vai nu!).

Por exemplo, a noção de Júlio Machado Vaz (através de Urbano Tavares Rodrigues) de “princípios estabelecidos aprioristicamente”.

Mesmo que existam “princípios estabelecidos a posteriori”, esses princípios tornam-se, depois e sempre, a priori (modus ponens). Ou seja, todos os princípios são – de uma maneira ou de outra – a priori, porque de outra forma não seriam “princípios“.

Todos os princípios são a priori porque resultam da experiência humana, seja essa experiência subjectiva ou intersubjectiva.

Razão tem o Desidério Murcho quando diz que o pessoal da área das ciências deveria ter uma cadeira de Lógica. O princípio da Academia moderna segundo o qual “as Letras são tretas”, dá nisto.

A crítica de Júlio Machado Vaz à noção de “princípios estabelecidos aprioristicamente” aponta para a validação racional e exclusivista de “juízo sintético a posteriori” (de Kant), que é aquele juízo que resume uma experiência científica ou empírica. Mas logo a seguir (logo que esse juízo é elaborado), o “juízo sintético a posteriori” transforma-se num “juízo analítico a priori”, que é aquele juízo que explica uma definição mediante a abstracção em relação ao mundo empírico. Isto até os Lógicos da Idade Média já sabiam através do conceito de modus ponens , e hoje vemos eminentes psiquiatras, que nos dão lições de moral nos me®dia, ignorarem totalmente.

A verdade é que o empirismo explica só o domínio do empírico – e o domínio de investigação que vai para além disso aponta no sentido da metafísica. Se quisermos fundamentar uma tese no domínio do empírico, então temos que a basear em afirmações que são relativamente certas e seguras, e das quais resulta logicamente a tese; ou seja, temos que sair do empírico para fundamentar o empírico.


Outro absurdo de Júlio Machado Vaz é o de “prepotências firmadas em preconceitos” – como se existissem pessoas que têm preconceitos, e outras não. Por exemplo, parece que Júlio Machado Vaz não tem preconceitos, ou seja, parece que Júlio Machado Vaz não é humano.

“A reclamação da liberdade erótica não me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimizá-la e do mesmo passo desmistificá-la, precisamente no propósito de a tornar mais lúcida e mais generosa.”

Não vou falar no verbo “dessublimizar”. Vou apenas falar na contradição, fundamental e evidente, entre a defesa da desvalorização da vida humana (ou seja, o putativo verbo “dessublimizar”), por um lado, e, por outro lado, a ideia segundo a qual essa desvalorização da vida humana a torna “mais lúcida e generosa”. ¿ Como é que podemos ser mais generosos, enquanto vivemos, se desvalorizamos o sentido da nossa própria vida?

O que faz falta é desmistificar Urbano Tavares Rodrigues, Júlio Machado Vaz e outras vergônteas do marxismo.

[ ficheiro em PDF do texto de UTR que JMV subscreve ]

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