Não perguntes o que o Euro pode fazer por ti!

Este é o lema da União Europeia comandada a partir de Berlim por Angela Merkel: “Não perguntes o que o Euro pode fazer por ti: antes pergunta o que podes fazer pelo Euro”.

Quando veio nos me®dia a notícia de que há crescimento económico em alguns países do Euro , e que “a crise está ultrapassada embora com cautelas” – desatei a rir um riso do amigo da onça. Eu olho para o que se está a passar na política e pergunto: ¿esta gente é normal? ¿não deveria ser interditada?merkel-arbeit-lomo-300-web.jpg

Qualquer recuperação económica que se baseie na necessidade de aumento do desemprego é uma ilusão. Mas não é isto que Passos Coelho pensa: pensa ele que o factor “desemprego alto” é secundário e até pode beneficiar a recuperação económica. Em vez de uma recuperação económica, Passos Coelho está a trabalhar na criação a prazo de uma grave crise política (não uma crise entre políticos, mas uma crise política nacional generalizada).

Ou a zona Euro parte imediatamente para uma mutualização das dívidas soberanas e para uma união fiscal, ou Portugal tem que sair do Euro, se possível de uma forma minimamente ordenada e com o apoio da Alemanha. Porque, neste contexto, se Portugal não sai do Euro, entramos todos na total irracionalidade em nome de um ideal político maçónico. Passamos a ser uns “idiotas úteis”.

Se não se faz a mutualização das dívidas soberanas e uma união fiscal na zona Euro, o ajustamento da economia portuguesa (e não só: a espanhola, a irlandesa, a italiana, e outras também) será feita através da redução de salários e dos preços relativos – o que já está acontecer orgulhosamente com Passos Coelho.

Em vez de desvalorizarmos a nossa moeda, como acontecia do tempo do Escudo, a desvalorização interna é feita através do encolhimento brutal da economia. O que eu acho espantoso é que alguns economistas malucos – como, por exemplo, João César das Neves – pensem que é melhor o encolhimento brutal da economia em vez de termos uma moeda própria para desvalorizar em caso de necessidade conjuntural.

O encolhimento da economia – entendido como método de desvalorização da moeda quando não existe moeda própria – tem ainda um outro grande inconveniente: a relação entre a dívida soberana e o PIB nacional é brutalmente agravado. Ou seja, o PIB desce e a dívida sobe. O Zé Povo vai-se enterrando cada vez mais, e a Merkel a esfregar as mãos de contente: nada melhor para a Alemanha do que uma economia portuguesa com salários de tipo “América central”, e com uma dívida soberana de tipo “Europa”. Estamos perante o IV Reich.

As recentes declarações de Angela Merkel indiciam que a mutualização das dívidas soberanas e uma união fiscal na zona Euro é conversa fiada. Utopia pura. Estória mal contada. Cumbersa da esquerda e de João César das Neves. É trólóló. Conversa para boi dormir.

Portanto, ou a Alemanha chega às boas connosco, Portugal sai ordeiramente do Euro e o pagamento da dívida portuguesa é indexado ao crescimento do PIB e a longuíssimo prazo (como aconteceu com a dívida alemã depois da II Guerra Mundial), ou a Alemanha vai receber dividendos quando a gente quiser – que pode ser nunca. Estamos em estado de guerra (segundo o conceito de Notrecht de Hegel).

A ler:

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