O novo conceito (errado) de “exclusão”

Dizer que uma instituição deve ser aberta a toda a gente, é negar a natureza da instituição enquanto tal.

Lemos a história das Guias escuteiras do Reino Unido, que deixaram de mencionar “Deus” no discurso do seu juramento, e porque uma aspirante a Guia era ateia. Bastou que uma Guia ateia invocasse o argumento da exclusão, para que milhares de Guias acedessem à “exclusão” ateísta.

«A group of Girl Guide and Brownie leaders will not use a new promise which removes reference to God, and has received the backing of Bishop Nazir-Ali.
One atheist volunteer helper has accused the group of excluding her, and is being supported by the National Secular Society.
A spokeswoman from Girlguiding UK has signalled that groups which do not use the new pledge will be forced out of the movement unless they comply.»

Em primeiro lugar, há aqui um problema lógico de base: a exclusão pressupõe que não exista nenhum elemento em comum entre dois conjuntos de objectos. Ora, neste sentido, a exclusão não se aplica propriamente à relação entre seres humanos. Entre grupos de seres humanos, entendidos enquanto seres humanos, é impossível haver exclusão propriamente dita – porque há sempre qualquer coisa de comum entre dois seres humanos.

Por outro lado, se entendermos “exclusão” nos termos das proposições da lógica formal clássica, também não se pode aplicar o conceito de “exclusão” no caso das Guias inglesas, porque a referência a Deus no juramento dos escuteiros pode não ser uma condição sine qua non: um escuteiro ateu, entendido como um indivíduo detentor de livre-arbítrio, pode simplesmente omitir a palavra “Deus” no seu juramento, deixando que a tradição e os costumes que compõem uma instituição não sejam destruídos.

O argumento da “exclusão” é (erroneamente) utilizado pelo politicamente correcto para destruir toda e qualquer instituição. Por definição, em uma instituição existem as pessoas que possuem as condições para estar nela, e outras pessoas que não têm essas condições. Dizer que uma instituição deve ser aberta a toda a gente, é negar a natureza da instituição enquanto tal.

Por absurdo, imaginem uma situação em que uma mulher pretende entrar para a maçonaria ao mesmo tempo que anuncia publicamente a sua exigência segundo a qual as lojas maçónicas devem ser mistas, no que respeita aos sexos. Ora, a instituição da maçonaria tem como tradição e costume o facto de existirem lojas masculinas e lojas femininas; e, por isso, só adere à maçonaria quem aceitar a priori as regras da instituição maçónica.

A noção politicamente correcta de “inclusão” é uma forma de exclusão.

Alguém poderá dizer: “as instituições mudam-se”. Mas se o argumento falacioso da “exclusão” for considerado válido para mudar as instituições, então não é possível a existência de qualquer instituição – porque um católico também pode ser considerado “excluído” por se ter retirado a referência a Deus no juramento dos escuteiros. Ou seja, na prática, a noção logicamente errada e politicamente correcta de “inclusão” social é uma forma de exclusão.

Alguém poderá dizer: “trata-se apenas de encontrar, no discurso do juramento dos escuteiros, um menor múltiplo comum. Este argumento é falacioso, porque o menor múltiplo comum pode ser igual a zero. Dizer que, para se mudar uma instituição, se deve aplicar nela o conceito de “menor múltiplo comum”, é afirmar a possibilidade segundo a qual, em caso de ausência de um menor inteiro positivo, então esse menor múltiplo comum é zero. Ou seja, quem defende este argumento pretende destruir a instituição, e não reformá-la.

O que se poderia racionalmente fazer é dar a liberdade ao aspirante a escuteiro de invocar Deus no seu juramento, ou não. Esta solução seria um mal menor. Mas o politicamente correcto é tudo menos racional.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Politicamente correcto com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s