O homem moderno anda enganado pelo mito cientificista

“Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos (Oráculo do Senhor)” – Isaías 2, 55,8

Aquilo que é, mas que não é como queremos que seja

De acordo com a Física, é possível afirmar, com grande certeza de probabilidade, que meio grama de urânio se decompõe após 4,5 milhões de anos. Mas o que a Física não pode prever, nunca, é exactamente quando um átomo de urânio se decompõe: a Física já sabe um átomo de urânio pode decompor-se imediatamente ou daqui a muitos milhões de anos. Mas nem por este último facto a Física reconhece que existem milagres, porque a ciência só vale para o nosso mundo quotidiano.

O milagre

Não podemos separar a matéria da pessoa que observa.

A Física ensina-nos que não existem milagres porque a ciência não consegue ver, na existência do universo, um milagre; e se o universo inteiro não é um milagre – segundo a Física -, as partes do universo não são excepção. A verdade é que não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa que observa, por outro lado. Se a pessoa que observa é doutrinada e lobotomizada pelo mito cientificista segundo o qual “o milagre não existe”, essa pessoa não vê o milagre em lugar nenhum, e nem mesmo no facto da sua própria existência. E, como se diz no Novo Testamento, numa terra onde ninguém concebe o milagre, este não pode acontecer – porque o milagre já lá está presente mas ninguém o vê.

A circularidade do conceito de matéria

“Quem não desespera com a teoria quântica, não a entendeu.” – “Atomic Physics and Human Knowledge”, Niels Bohr , 1958, p. 40

A lobotomia do cientismo levou a maioria das pessoas, que observam, a conceber apenas objectos localizáveis no espaço e no tempo – ou como escreveu alguém no Rerum Natura : “tudo são partículas, e as ondas quânticas são apenas ilusão” ( ver verbete meu sobre o assunto ).

Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Essas pessoas, lobotomizadas pelo cientismo , não se dão conta de que incorrem em um pensamento circular; trata-se de uma opinião ingénua que a teoria quântica já refutou, porque já não faz sentido ver os objectos claramente identificáveis. Quando os instrumentos de investigação científica são também compostos de partículas, então qualquer análise das partículas tem sempre que pressupor ( a priori ) o conceito de “partículas”. Por isso, a determinação da constituição das partículas é, por princípio, circular, e também por isso não se pode atribuir às partículas nenhuma objectividade definitiva.

O que nos resta é o formalismo de uma estrutura matemática que, como Platão defendeu, deve ter uma natureza espiritual, tal como descrito pelo físico David Bohm (citado em “The Turning Point”, 1982, p.83, de Fritjof Capra ) : “O universo começa a parecer-se mais como uma grande ideia do que com uma grande máquina”.

A casualidade que fundamenta a causalidade

“A física quântica forneceu a refutação definitiva do princípio de causalidade”Werner Heisenberg (citado em “Physics and Transcendence“, 1996, p. 18, de Hans-Peter Dürr ).

A casualidade (não confundir com “causalidade”) e a a-causalidade da realidade física fundamental não se devem aos nossos conhecimentos limitados, ou seja, não se devem à nossa ignorância – mas antes são constitutivas da própria realidade fundamental. Não existe uma probabilidade subjectiva, mas o que existe é uma probabilidade objectiva. Aquilo que nos aparece como causa e efeito tem, na sua base, uma a-causalidade e uma casualidade, como se a causalidade fosse desenhada para que pudéssemos viver num universo minimamente previsível e sujeito a leis e sem as quais a nossa existência não seria possível. Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

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