O blogue Rerum Natura e o Rebimba o Malho

 

«Deixar pois que a Natureza se desenvolva nos jovens, naturalmente, isto é segundo as suas leis, os seus ritmos e sem os constrangimentos excessivos e despropositados de algumas coações sociais (e educativas) é uma ideia que nos parece correcta e adequada; sobretudo por que é “natural”. A Natureza está certa, é ela que tudo determina, ela é a referência, daqui a ideia de otimismo antropológico, que é muito forte em Rousseau.

Nem naturalismo nem pessimismo antropológico – II

Eu nem sei bem como classificar esse texto do blogue Rerum Natura, porque, desde logo, incorre nas falácias naturalista e de apelo à natureza.

Portanto, sobre a aplicação tout cours das “leis da natureza” à educação, estamos conversados… por exemplo, não é porque a natureza faz crescer a barba nos adolescentes que todos eles devem deixar crescer a barba… isto é tão elementar que surpreende que o escriba do Rerum Natura não tenha visto.

E continua o texto:

«Rousseau, em pleno Romantismo, adorador da Natureza, não podia ver com bons olhos uma educação, formalista, inibidora, contrariando o crescimento e o desenvolvimento natural; segundo ele era demasiado anti-natural para dar bom resultado.»

Talvez por isso é que Rousseau colocou os seus cinco filhos em um orfanato, livrando-se assim do fardo de os educar.

Se repararem bem, o texto do Rerum Natura, para além de ser muito longo, mistura conceitos de uma forma tal que se torna muito difícil uma análise crítica.

Por exemplo, relacionar Rousseau, por um lado, com ciência, por outro lado (quando se escreve o seguinte: « “naturalismo científico” de que fala Luís Ferreira, no comentário ao texto anterior, enquadra-se no processo de desenvolvimento científico dos séculos XIX e XX e em grande medida vai na linha de muitas das intuições de Rousseau») não faz grande sentido, porque o “naturalismo” de Rousseau era, no mínimo, a-científico, se não mesmo anti-científico. Os erros acumulam-se no texto. Por isso, vamo-nos concentrar apenas no início do texto:

«O Naturalismo, como se sabe, tem que ver com a Natureza e suas leis fundamentais, e, paralelamente, com o facto de a Natureza ser tudo o que existe, esgotar de algum modo a realidade, ideia progressivamente aceite à medida que perdiam terreno concepções espiritualistas, metafísicas e todas as que ultrapassam ou pressupõem domínios não naturais. Isto é, que não existem na Natureza e que, por isso, não podemos conhecer (por processos fiáveis e segundo as exigências actuais do conhecimento científico) nem, portanto, controlar.»

Já repararam no absurdo do trecho supracitado? A “técnica” do escriba do Rerum Natura é parecida com a técnica de Karl Marx: refere-se sistematicamente a conceitos e de uma forma muito vaga, e sem a preocupação das definições.

Por exemplo, ¿O que é a “Natureza”? ¿ O que é a “realidade”? ¿ Será possível definir “realidade”? A julgar pelo trecho, “realidade” é perfeitamente definível…

Absurdo… um absurdo!! Um absurdo de todo o tamanho! Mas esse absurdo incomensurável vale como autoridade de direito… e os pobres leitores do blogue Rerum Natura lêem aquela merda e ficam convencidos da autoridade de facto de quem cagou as letras na pantalha do computador…!

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