A recusa da Teoria é uma sempre uma forma de teoria

Eu prefiro uma teoria deficiente, a nenhuma teoria. Mesmo que uma teoria tenha falhas, é preferível tê-la assim mesmo, do que negar qualquer teoria alegando as falhas que ela possa ter. É preferível uma teoria deficiente que se baseie em uma Causa do universo, do que recusar qualquer teoria sobre a origem do universo.

O cepticismo é a recusa e a negação de qualquer teoria que não se possa medir, esquecendo que a própria medição é uma teoria.

O procedimento científico está sempre imbuído de considerações teóricas, e não há factos irredutíveis isentos de qualquer teoria. O cientista interpreta as descobertas científicas sempre com o auxilio de alguma teoria. O que interessa ao cientista não é apenas o ponteiro do instrumento de medição, mas antes, a medição só tem valor se estiver em conjugação com uma interpretação do seu significado — para além do facto de o instrumento ter um erro finito experimental (que pode ser infinito, do ponto de vista da física quântica).

Não há nenhuma lei experimental exacta. Só as há aproximadas, e estão sujeitas a uma infinidade de traduções simbólicas e, entre estas traduções, o cientista tem que escolher uma delas que lhe dê uma hipótese conveniente e sem que a sua escolha tenha sido guiada de algum modo pela experiência.

O problema surge aqui quando a ciência recusa uma nova teoria que explica melhor uma determinada fracção da realidade, e fá-lo por motivos políticos e ideológicos; ou seja, a ciência agarra-se a um paradigma porque este serve uma determinada mundividência da moda, que está de acordo com uma determinada ideologia política.

Defender a casualidade do universo, do ponto de vista da ciência, é contraditório, porque a ciência baseia-se no princípio da causalidade (causa / efeito). Dizer que “o universo surgiu por acaso” não é compatível com o princípio científico segundo o qual todos os efeitos têm uma causa.

Fazer desaparecer um problema não resolve esse problema. Ignorar o problema da Causa não faz desaparecer o problema da Causa. Reduzir a análise da realidade a uma fracção da realidade pode próprio da ciências especializadas em determinadas áreas, mas não é próprio da filosofia.

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