Morreu como viveu

Soube que morreu um Padre jesuíta de seu nome Alfredo Dinis; e, pelo que parece, morreu como viveu: ignaro. Paz à sua alma!

O tal Alfredo Dinis escreveu dois textos para o blogue Rerum Natura, que podem ser lidos aqui e aqui. Como é timbre de gente ignara, o Alfredo Dinis mistura conceitos, relacionando-os de uma forma imprópria.

1/ Desde logo, vejamos o termo “evolucionismo”, que o Alfredo utiliza amiúde; mas não o define (como é evidente).

Se entendermos a “evolução” (no sentido de “evolucionismo”) como o processo mediante o qual o insondável ou Causa Primeira (Deus) se apresenta na dimensão do espaço e do tempo, então, a afirmação de que o espírito, a alma e a razão são produtos da evolução não representa qualquer problema para um espírito inteligente e/ou para o cristão.

Porém, se a evolução for entendida simplesmente em termos materialistas, a realidade da autoconsciência e do acesso ao domínio das verdades perenes arrebenta o quadro evolucionário do Alfredo e do Rerum Natura.

O Alfredo percebeu isto? Talvez, mas não transparece no primeiro texto de uma forma clara.

2/ Ao contrário do que o Alfredo parece dizer, não existe qualquer prova científica de vida no universo fora do planeta Terra, e muito menos vida inteligente. Isto não significa que não possa haver vida fora do planeta Terra: apenas significa que falar no assunto é especular.

3/ O Alfredo critica (veladamente) o dogmatismo religioso, mas esqueceu-se de criticar o dogmatismo darwinista. E por quê? Porque o Alfredo só vê para um lado.

Diz o Alfredo — já no Tomo II da sua obra prima — que “a experiência religiosa não se fundamenta em qualquer demonstração da existência de Deus”. Para o Alfredo, “Deus existe” como existe o vizinho do lado, e por isso é que é preciso uma “demonstração de Deus”. Deus, para o Alfredo, é uma espécie de “coisa”, de unicórnio ou coisa que o valha, que a ciência ainda não conseguiu provar que existe. Mas como a ciência não é capaz de provar que uma determinada coisa não existe — nem sequer é capaz de provar que o unicórnio não existe —, temos o Alfredo metido num problema por motus próprio.

4/ depois diz o burro do Alfredo que “o altruísmo tem uma base biológica e revela-se vantajoso para a sobrevivência das espécies, em particular do género humano.” Como é que o burro explica que uma pessoa arrisque a sua vida para salvar uma outra pessoa que nem sequer conhece?! — como foi o caso, por exemplo, de Arland Williams?

O famoso psicólogo Morton Hunt — que por sinal é ateucolocou assim o problema:

“Até agora, é simplesmente desconhecido o que leva heróis impulsivos a arriscarem a sua vida por pessoas estranhas; a investigação não oferece praticamente nada como resposta a esta questão.”

Mas o Alfredo quer ser mais papista do que o Papa…

5/ Diz o Alfredo que “não é possível provar que Deus existe nem que não existe”. Por isso é que eu digo que “quem vive como um animal, morre como um animal” — porque o Alfredo não conseguiu ver Deus na existência do próprio universo! O Alfredo não conseguiu ver aquilo que é evidente: que o universo tem que ter logicamente uma Causa. O Alfredo, em nome da filosofia e da ciência, morreu como um animal.

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