Os "católicos fervorosos" e o “Papa Francisco”

Um “católico fervoroso” escreveu o seguinte num comentário:

“Se me permite uma correcção marginal, o Papa Francisco apenas será chamado de Francisco I quando houver um Francisco II, até lá será apenas Francisco.”

Ao que eu respondi:

“Pelo seu raciocínio, o Papa João Paulo I (que morreu depois de três meses de pontificado), deveria ser chamado apenas de “Papa João Paulo”… e por quê? Porque — segundo a sua “lógica” — ainda não havia o Papa João Paulo II. Ou seja, a numeração do nome do Papa é dada a posteriori.

Por outro lado, e segundo o seu raciocínio, se não houver um Francisco II, então nunca haveria um Francisco I — ou seja, para você, o número 1 só existe se existir previamente o número 2, o que é a inversão da lógica!

Você já deu conta do absurdo do seu raciocínio?!”

Adenda:

A História de Portugal oficial fala no rei D. José I, não obstante não ter existido um outro rei com o nome de José.

Naturalmente que, em linguagem coloquial, dizemos “rei D. José” (sem o número cardinal), mas se consultarmos a História de Portugal, o nome correcto do rei é D. José I. E isto acontece porque um novo nome de um rei — um nome que não tenha existido na História — pressupõe que seja o primeiro, por um lado, e por outro lado parte-se do princípio de que possa vir a existir, no futuro, um segundo (ou mais) rei como o mesmo nome.

A nomenclatura papal obedece ao mesmo princípio da nomeação monárquica.

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4 respostas a Os "católicos fervorosos" e o “Papa Francisco”

  1. Sandra diz:

    Caro Orlando,

    Peço-lhe uma correção:

    João Paulo I governou a Igreja por apenas 33 DIAS.

    Aceite meu abraço fraternal.

    • O. Braga diz:

      De facto, 33 dias não é a mesma coisa que 90 dias.

      Mas mais importante do que a forma de dizer as coisas, é a essência do que está escrito. E, no que diz respeito à essência ou à substância do texto, o facto de ser 33 ou 90 dias é de importância secundária.

      Mas fica a correCção.

  2. Sandra diz:

    Ops,

    eu deveria usar o pronome oblíquo da 2ª pessoa do plural?

    Perdoai meu linguajar brasileiro.

    • O. Braga diz:

      Do meu ponto de vista, “correção” não está correcto: um “corretor” não é a mesma coisa que um “corrector”. Um corretor trabalha na Bolsa de Valores; e um corrector faz correcções.

      O resto está bem.

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