A visão simplista e facilitista da língua portuguesa

 

Sempre houve pessoas que acreditaram que o facilitismo é sinal de progresso. Por exemplo, leio aqui que desde o século XVI existiram pessoas que defenderam a eliminação das consoantes mudas na língua, alegadamente “para acabar com o analfabetismo”:

«O século XVIII trouxe novas achegas a esta problemática com Luís António Verney, no “Verdadeiro Método de Estudar, para Ser Util à República e à Igreja”, 1746. Com ele, a simplificação da língua servia para acabar com o analfabetismo, para aprofundar o que podemos chamar de democratização cultural e possibilitar que Portugal acompanhasse o progresso científico e entrasse na modernidade. O critério etimológico devia ser substituído pelo fonético, com regras ortográficas mais realistas e criteriosas.»

Segundo este critério, a melhor forma de fazer progredir uma economia e um país é ir abandonando o esforço do trabalho: quanto menos se trabalha → menos esforço do cidadão, logo, → mais progresso. Ou seja: quanto menos esforço se exige do cidadão, mais ele aprende e progride.

É esta ideia, a de facilitismo como sinónimo de progresso, que orienta este Acordo Ortográfico.

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