O problema da imigração, e Israel

 

O problema da imigração deve ser analisado a partir de duas perspectivas diferentes: por um lado, o fenómeno migratório em si mesmo, e por outro lado, o tipo de reacção das populações autóctones ou locais à imigração. E vem isto a propósito deste verbete.

1/ a imigração tem limites. A partir de um determinado ponto, a imigração transforma-se em ocupação de território alheio. As duas grandes guerras mundiais tiveram, entre outras razões, também raízes nas migrações desenfreadas.

O arquiduque Ferdinand foi assassinado em Sarajevo em 1914, dando azo à I Guerra Mundial. Uma das razões do assassinato do arquiduque foi a situação de multiculturalismo do império austro-húngaro, império que se desmembrou com a primeira grande guerra, dando lugar (não só, mas também) à confusão étnica e cultural nos Balcãs que mais tarde o general Tito unificou sob o nome de Jugoslávia. E com a queda do comunismo, todos nós vimos o resultado do multiculturalismo com a guerra civil na Jugoslávia da década de 1990, que esteve na origem de genocídios.

Uma das razões da invasão de Hitler da Checoslováquia e da Polónia foram as minorias alemãs desses países. O problema dos Sudetas na actual República Checa ainda não está resolvido, mesmo com ambos países — Alemanha e Rep. Checa — dentro da União Europeia!

Portanto, nós devemos aprender com a História. Devemos ter memória. Não devemos viver apenas o presente: devemos também ter sempre em conta o passado. Nestas matérias, não devemos ceder facilmente à emoção e ao sentimentalismo, porque podemos estar hoje a acomodar milhares de imigrantes que poderão estar na origem de milhões de mortos no futuro.

Se me perguntarem se Israel deve limitar a imigração africana, eu direi que sim. E mais: o excesso de imigrantes deve ser deportado para os seus países de origem.

O problema aqui é essencialmente cultural: Israel tem todo o direito de preservar, tanto quanto possível, as suas raízes culturais enquanto povo — tanto quanto qualquer outro pais do mundo tem esse direito.

O facto de os judeus terem sido perseguidos na Europa e durante séculos, não lhes tira agora a razão: pelo contrário, a experiência passada das perseguições aos judeus dá-lhes agora todas as razões para evitar que o seu território seja ocupado. Recordo que a Diáspora israelita começou com a destruição de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C., e tornou-se definitiva com a ocupação islâmica de Israel no século VIII.

2/ outra coisa, bem diferente, é a forma como o problema da imigração em massa é tratado politicamente.

Perante a emoção radical de quem apoia a imigração em massa, aparece sempre a oposição da emoção radical de quem é contra essa imigração em massa. Quem critica a emoção radical dos xenófobos são, muitas vezes, aqueles que apoiam a emoção radical dos xenófilos. Vemos isso, hoje, em França, em que uma política de abertura à imigração islâmica, em nome de uma emoção radical xenófila, está a dar origem à ascensão da emoção radical xenófoba da Frente Nacional de Marie Le Pen. Temos vivido na Europa num extremismo xenófilo e, portanto, não estranhemos que apareçam por aí fenómenos políticos de xenofobia.

A xenofobia é tão reprovável como é reprovável a xenofilia.

3/ o anti-semitismo é uma característica da Esquerda. Sempre foi, depois da revolução industrial. Os socialistas e comunistas são anti-semitas.

Na Europa, e antes do século XIX, os judeus convertidos ao Cristianismo era absorvidos pela cultura autóctone. Quando o rei D. Manuel I expulsou os judeus, só expulsou aqueles que não se converteram ao Cristianismo. Portanto, o “problema” de D. Manuel I com os judeus portugueses não era étnico ou rácico: antes, era cultural.

Ora, isto não se passou depois da Revolução Industrial: o anti-semitismo da Esquerda tem um fundamento racial, e já não religioso e cultural. Os esquerdistas são os maiores xenófobos que existem, mas, na linha do puritanismo revolucionário do século XVII, e de um paternalismo politicamente correcto, lançam o estigma da xenofobia sobre os outros.

4/ o PNR, por exemplo, é um partido socialista, e, por isso, um partido de Esquerda.

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