O problema da coisa

Heidegger escreveu um livro cujo título é ”O Problema da Coisa”. Agora imagine o caro leitor (extenditur ad speciem humanam, etiam feminis) a magnitude do problema de Heidegger. Kant já nos tinha falado na “Coisa Em Si”, mas nunca ninguém tinha abordado com tamanho desassombro o problema da coisa.

heideggerPara Heidegger, o ente é “o que nos enfeitiça e nos exalta”, ou seja, é a coisa, por um lado; e por outro lado, a coisa é um ente que tem que ser cuidado — ou seja, é um ente querido. É evidente que nos parece ser óbvio que uma coisa que não é devidamente cuidada pode trazer-nos problemas. Um ente, ou o que é o mesmo, uma coisa com problemas pode afectar, por exemplo, a compreensão ontológica do Dasein sobre si mesmo. Para Heidegger, a condição ôntica, que é própria da coisa, acaba por ser a condição ontológica do Ser-Aqui — porque um ente inexistente é uma contradição em termos.

“O Ser-Aqui é sempre a sua possibilidade”, escreve Heidegger; mas a natureza ontológica da possibilidade do Ser-Aqui depende da condição ôntica da coisa. A filosofia de Heidegger fundamenta-se na oposição entre a natureza ôntica da coisa, por um lado, e, por outro lado, a natureza ontológica do Ser-Aqui: se a coisa, enquanto ente, é limitada, o Ser-Aqui já é indeterminado. Ou seja: uma boa condição ôntica da coisa é fundamental para a determinação ontológica do Ser-Aqui.

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