É hora de parar para pensar

 

A principal razão por que eu fui contra este Acordo Ortográfico é a de que eu sabia, de forma intuitiva, de que havia uma forte dose de irracionalidade política que lhe estava subjacente, irracionalidade essa que se veio a confirmar.

A língua portuguesa transformou-se em uma arma de arremesso político que, de uma forma totalmente irracional, serve de instrumento para se ajustarem contas com a História.

O “problema” do Brasil é muito complexo, por um lado, e por outro lado qualquer comentário sobre o “problema” do Brasil corre o risco de “meter tudo no mesmo saco” — o que seria injusto. E depois, qualquer crítica justa à irracionalidade política, desde que vinda de fora do Brasil, consegue colocar o direitista brasileiro mais radical ao lado de Dilma Roussef. Não nos podemos esquecer que os decisores políticos são seres humanos que erram como nós…!

A notícia diz tudo: o Brasil está a “encurralar” Portugal.

Os portugueses mostraram, em geral, a maior bonomia em relação ao Brasil e ao seu “problema” — como, aliás, a Madalena Cardoso referiu no artigo —, mas o Brasil não exige só bonomia e condescendência: o que o Brasil pretende, também, é a “humilhação de um império” sem que tenha as condições para o ser. Uma das condições para impor a “humilhação do império” é a racionalidade na política do imperador — coisa que não existe no Brasil.

O que se está a passar no Brasil, a nível político, é muito difícil de compreender pelo cidadão comum português. E como se pode verificar nos comentários dos cidadãos acerca do Acordo Ortográfico, a maioria dos que têm opinião pensa que esta irracionalidade política tem que ter um fim, e que os brasileiros devem assumir a responsabilidade dos seus actos e ser coerentes com as atitudes políticas que tomam.

O que Brasil pretende não é a diversidade da língua, seja ela sintáctica — que já existia, aliás, mesmo sem este Acordo Ortográfico —, ou outra qualquer. O que o Brasil pretende é a afirmação de um acto gratuito ou a imposição imperial de uma liberdade de indiferença. A língua portuguesa transformou-se em uma arma de arremesso político que, de uma forma totalmente irracional, serve de instrumento para se ajustarem contas com a História.

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