O problema do homem moderno é o problema da culpa

 

O principal problema da modernidade — desde a Reforma (ou a revolta) de Lutero — é a tentativa de eliminar a culpa da condição humana; e para se conseguir eliminar a culpa, a modernidade tentou eliminar a consciência. Todo o “problema” da modernidade pode ser resumido nisto.

culpaO problema das elites modernas é a culpa. A culpa é um sentimento que se enraíza na consciência; e para se poder desenraizar a culpa da natureza humana, há que pensar a consciência como um epifenómeno do corpo, tentando explicá-la como uma excrescência do cérebro tal qual a urina é uma excrescência dos rins.

Reza a história que num simpósio de investigadores da natureza realizado em Göttingen, Alemanha, em 1854, um fisiólogo presente, de seu nome Jacob Moleschott, declarou que, “tal como a urina é uma secreção dos rins, assim as nossas ideias são apenas secreções do cérebro”. Perante isto, o conhecido filósofo Hermann Lotze levantou-se, e disse que “ao ouvir tais ideias do distinto colega conferencista, quase acreditei que ele tinha razão…”

Para tentar erradicar a culpa da natureza humana, a elite moderna tenta reduzir a consciência a uma excreção corporal. Ora, isto é absolutamente diabólico!

E mais diabólico é quando se verifica na prática, que essa tentativa de eliminar a culpa se tem revelado inoperante: por exemplo, não obstante o facto de as cirurgias de mudança de sexo — em Inglaterra — terem aumentado anualmente a uma média de 50%, o suicídio de transgéneros (pessoas que já efectuaram a cirurgia) aumentou em 31%.

Contudo, perante a impossibilidade de erradicação da culpa e da consciência, o homem pós-moderno tenta resolver o problema de uma outra maneira: projectando a sua culpa nos outros e/ou na sociedade. Essa transferência da culpa passou a ser um modus vivendi da pós-modernidade. Mas não é pelo facto de negarmos a culpa — e a consciência entendida em si mesma — que a culpa desaparece como que por magia; nem é pelo facto de transferirmos a nossa culpa para os outros que nos livramos dela.

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