Os problemas da língua portuguesa não são as consoantes mudas

 

« (…) Penso que a lusofonia não é uma ilusão. A ilusão está toda na ideia de que, no Brasil, há leitores. Mas não há. E a maioria dos existentes não consegue ler uma legenda de filme na velocidade necessária. Num país assim, as diferenças entre um português e outro ganham, é evidente, perfil monstruoso. O problema fica claro quando Girão cita as edições do livro “O Retorno”, da ficcionista Dulce Maria Cardoso: em Portugal, a obra vendeu 18 mil exemplares; no Brasil, 2 mil (se é que chegou a tanto). Ora, a tese de que a má recepção do romance no Brasil se deve a dissemelhanças linguísticas é inaceitável – significa querer mascarar o óbvio: no Brasil, repito, não há leitores. E se eles não existem – ou não existem na mesma proporção e com a mesma qualidade que há em Portugal –, não pode haver mercado.

(…)

A questão é simples: quando há educação e cultura, barreiras linguísticas muito maiores se desfazem como estátuas de sal

“O mercado é uma questão de educação e cultura”

Não conheço a realidade brasileira e este verbete deixou-me circunspecto. Hoje, com a “crise” em Portugal, o povo compra menos livros porque o orçamento doméstico “aperta”. ¿Não terá o problema a ver com o preço dos livros? Qual é o rácio entre o preço médio do livro e o rendimento médio nacional brasileiro por hora? Ou será também um problema cultural?

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