A tentativa de destruição da ética por via do "dilema ético"

 

Uma das entropias culturais da nossa época é a recusa dos factos objectivos, e a tal ponto que a própria psiquiatria tende a abolir as doenças mentais — o que é um absurdo!: se não existirem doenças mentais, ¿para que serve a psiquiatria?!

A recusa ou negação dos factos objectivos é uma doença mental colectiva da nossa época, uma “psicose colectiva”, por assim dizer. Estamos a viver uma época anti-científica que invoca a “ciência” para negar os fundamentos da própria ciência.

Essa psicose colectiva é induzida pelas ideologias políticas — a que Eric Voegelin chamou de “religiões políticas” — que, para além da negação dos factos objectivos, tende a relativizar a ética através de “dilemas” éticos, como por exemplo o “dilema do trólei” de Philipa Foot. É também o caso do “dilema do soldado nazi”, a que o blogue Famílias Portuguesas faz referência aqui:

“Tu és o homem ou a mulher que tem uma arma apontada à cabeça da mulher ou criança judia. Temes que, se não disparares, serás executado. O que é que esperas que seria a tua decisão?”

O dilema ético do “soldado nazi” e o dilema ético do “trólei” de Philipa Foot baseiam-se na validade de um mesmo princípio: o utilitarismo. Portanto, à partida, esse tipo de “análise ética” está enviesado: esses “dilemas éticos” partem de um possível e putativo caso excepcional, para depois generalizar esse eventual e putativo caso imaginado (falácia da generalização e negação do juízo universal), tentando assim colocar em causa qualquer ética que não seja a utilitarista. Imagina-se um caso extremo para depois se tentar extrapolar esse putativo caso no sentido de afirmar a validade exclusiva do utilitarismo.

A intenção destes “dilemas éticos” inventados é o de eliminar qualquer pressão psicológica contra a ética utilitarista. Por outras palavras, estes dilemas éticos servem apenas como “gadgets” retóricos para dissuadir as pessoas de defender determinados princípios éticos que não sejam apenas e só os utilitaristas. Ademais, temos o caso do Padre católico Maximiliano Kolbe que nos deu o exemplo da recusa da ética utilitarista.

Finalmente, a negação do holocausto nazi faz parte dessa psicose colectiva, na medida em que é a recusa de factos objectivos e historicamente documentados (longe de mim pensar que o blogue Famílias Portuguesas participa dessa doença mental!). Se foram assassinados 6 milhões de judeus ou 5 milhões, ou 1 judeu apenas, é tergiversação e delírio interpretativo. É conversa fiada.

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