Um papa que ficará para a História pelas piores razões possíveis

 

O Papa Francisco I defende a ideia de um “mundo melhor1:

«The Pope asked Jesuits to continue searching, to feel the same restlessness as Pierre Favre did and not to lose their “desire to change the world.”

“Here’s the question we must ask ourselves: do we also have great vision and momentum? Are we too bold? Do our dreams aim high? Does our zeal devour us, or are we mediocre and are satisfied with our laboratory like apostolic programming?” Only if we are focused on God is it possible to go to the peripheries of the world.»

Para defesa do “mundo melhor”, o cardeal Bergoglio dá a receita: viver de “mente aberta”:

«To be men who do not live in a self-centred way” and to be men “of incomplete thoughts, open thought: why always think looking at the horizon which is the glory of God always great, who surprises us relentlessly. And this is the ‘ anxiety of our void. That holy and beautiful restlessness.”»

Sobre a “mente aberta” do cardeal Bergoglio, G. K. Chesterton afirmou o seguinte:

“Merely having an open mind is nothing. The object of opening the mind, as of opening the mouth, is to shut it again on something solid.” (Ter apenas uma mente aberta é nada. O objectivo de abrir a mente, como o de abrir a boca, é a de a voltar a fechar em função de alguma coisa sólida).

O cardeal Bergoglio considera a “surpresa” do mundo do devir, em função da mudança dos tempos, como uma “surpresa” proveniente directamente de Deus, como se Deus quisesse e aprovasse sempre a moda de cada época e o espírito humano do tempo. Ou seja, o cardeal Bergoglio identifica Deus com o mundo. Eu não sei bem como classificar isto sem ser malcriado, mas vou tentar.


franciscoO cardeal Bergoglio é um erro de casting, porque é suposto que um cardeal tenha estudado filosofia e teologia, e saiba o que significa a identificação de Deus com o mundo (“identificação” aqui entendida em termos de “identidade”).

A Razão baseia-se na construção de conceitos. É verdade que se a interpretação do mundo significasse apenas uma dedução conceptual de novos conceitos a partir de conceitos anteriores (modus ponens), então qualquer tentativa de interpretar os desígnios de Deus seria inútil. Mas também é verdade que todas as manifestações da vida humana individual são precedidas de uma interpretação do mundo que é uma hipótese de fundo que não é reflectida (no sentido de “reflexão racional”) sobre o sentido da vida e sobre o valor das coisas que são desejáveis.

Ou, por outras palavras: cada ser humano vive a partir de uma determinada cosmovisão que nunca é resultado de uma reflexão racional: essa cosmovisão é, antes, resultado de uma interpretação pré-racional das experiências feitas no mundo, e nunca é possível comprová-la em termos experimentais ou científicos. Mas isso não significa que todas as interpretações do mundo (as cosmovisões particulares) sejam idênticas ou equivalentes: por exemplo, quando alguém goza a vida sem limitações e no deboche, também já fez uma interpretação da existência.

A interpretação do mundo — a cosmovisão — pode mudar mediante uma metanóia (religiosa, por exemplo). Mas as metanóias são próprias dos homens, e não de Deus. Qualquer identificação de Deus com o mundo — ou como afirmou o cardeal Bergoglio : “Deus é o espírito do mundo” — é absolutamente contrária à doutrina milenar da Igreja Católica e à mensagem de Jesus Cristo. É a primeira vez que vejo um papa proclamar ex-cathedra uma interpretação imanente do Cristianismo — e por isso, proclamar uma interpretação gnóstica da doutrina da Igreja Católica, no sentido do gnosticismo da Antiguidade Tardia.

O problema actual da Igreja Católica começa por ser o próprio papa. Se ele, através da sua interpretação imanente de “Deus identificado com o mundo”, venha a ter sucesso e popularidade em consonância com o actual Zeitgeist, é absolutamente irrelevante: o que é importante é o mal irremediável que ele pode fazer à Igreja Católica e à essência do catolicismo; e é neste sentido que alguns dizem dele que é o Anti-Papa.

Nota
1. Um “mundo melhor”, em que os católicos não devem viver “obcecados” com o aborto e com a propagação da cultura sodomita.

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