O Islão é uma religião política

A verdade ou falsidade de uma via religiosa não pode aferir-se pelo seu pacifismo ou belicismo, nem pelos belos argumentos que a sustentam, os quais variam como o tempo, mas sim e somente pela sua capacidade prática de servir de canal à acção real de Deus no mundo. O próprio de Deus é fazer milagres, isto é, não estar limitado pelo quadro das determinações espaço-temporais que Ele mesmo impôs à natureza e à história.”

→ Olavo de Carvalho

Devemos distinguir a religião, por um lado, da política, por outro  lado.

A política é imanente; a religião é (ou deveria ser) transcendente. Isto não significa que a religião não possa, a determinado momento, estar ao serviço da política ou vice-versa. Mas podendo estar ao serviço uma da outra, convém que não se fundam (não se incorporem) uma na outra.

O Islão é “dois em um”: aglomera em si mesma a imanência da política e a transcendência da religião. Ou seja, o Islão é a antítese do que foi defendido por Santo Agostinho em “A Cidade de Deus” (412-427): “O meu reino não é deste mundo” — proclamou Jesus Cristo. Em “A Cidade de Deus”, Santo Agostinho mostra que as “duas cidades” coexistem, mas que são destinadas a fins muito diferentes. Essas “duas cidades” de Santo Agostinho são a cidade da política e a cidade da religião. No Islão, as “duas cidades” são reduzidas a uma só.

Portanto, o problema não está em de saber se uma religião pode estar ao serviço do pacifismo ou do belicismo — ou seja, se, em um determinado momento da História, uma religião pode estar ao serviço de uma política de paz ou de uma política de guerra. Por exemplo, as cruzadas foram exemplo da religião ao serviço da política, mas isso não significa que a religião e a política na Europa ocidental se tivessem transformado em um fenómeno social unificado — nem mesmo na Espanha dos Reis Católicos isso aconteceu.

“O problema de um Eidos da História surge apenas quando uma religião transcendental se torna imanente. Tal hipóstase imanente do éschatos é, contudo, uma falácia teórica.”
“A política gnóstica derrota-se a si mesma na medida em que o seu desprezo pela estrutura da realidade conduz a uma guerra contínua.”

→ Eric Voegelin

Quando a religião e a política se unificam (se fundem uma na outra), estamos em presença de uma religião política. Neste sentido, o Islão é a ideologia política mais antiga do mundo — nem mesmo o Confucionismo fundiu de um modo tão perfeito a política e a religião. Por isso é que qualquer tipo de ideólogo político, da Esquerda à Direita, sente um fascínio pelo Islão — até o snob inglês Winston Churchill sentia uma atracção pelo Islão.

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