O piropo e os alienados de Lisboa

 

“O discurso da criminalização do piropo não me representa, nem como mulher, nem como penalista. Prefiro que se reflicta sobre a educação que estamos a dar aos nossos filhos e filhas. Prefiro que se reflicta sobre a representação da mulher na literatura, no cinema, nas artes, na publicidade. Prefiro que se façam campanhas de sensibilização.

Não podemos criminalizar tudo o que nos desagrada. Tudo o que seja de mau gosto, feio ou ordinário. Uma Maria Capaz não resolve todos os seus problemas gritando pelo irmão mais velho e mais forte, que é como quem diz, criminalizando. Entre nós, haveremos certamente de encontrar formas mais criativas – e, na minha opinião, eficazes – para erradicar a cultura do machismo lusitano.”

Inês Ferreira Leite

Eu sublinhei acima o que me interessa para este verbete.

Uma sociedade em que não existe uma certa dose saudável de machismo não se consegue defender. Repare-se: machismo saudável, o que significa que o machismo não é necessariamente mau. A  sociedade idealizada pela Inês é uma sociedade indefesa em nome de uma abstracção do conceito de igualdade — existe nessa sociedade utópica um divórcio entre a realidade e a ideia de igualdade.

Quem critica o piropo vive em Lisboa.

Quem critica o piropo nunca viveu em uma aldeia ou vila de Portugal, onde o piropo é uma forma de comunicação tão disseminada e vulgar que ninguém nota, e onde o piropo é feminino e masculino (do homem para a mulher, e vice-versa), porque as pessoas conhecem-se mais ou menos umas às outras, e por isso o piropo tem uma função de coesão cultural e social na comunidade — porque se tratam de comunidades, o que não é o caso de Lisboa. Lisboa significa a alienação da cultura portuguesa tradicional. E são os alienados culturais de Lisboa que pretendem criminalizar o piropo. É tempo de acabar com esta moda de fazer de Lisboa o paradigma nacional!

Não devemos confundir “piropo” com “bullying”.

Nas vilas e aldeias de Portugal também não se tolera o bullying. O que distingue o bullying do piropo é a intencionalidade percebida no primeiro através de códigos culturais bem estabelecidos — o que não acontece em Lisboa, onde os códigos de comunicação se dissolveram, ou existem apenas em pequenos grupos sociais. Nas comunidades, essa intencionalidade do bullying não é subjectiva — como acontece em Lisboa, onde cada um interpreta o piropo como quiser — mas antes tem a objectividade que a própria cultura comunitária lhe dá.

Nós, portugueses, estamos já cansados de levar com com essa Lisboa alienada pelas costas abaixo. Sugiro que se façam leis apenas para Lisboa, e deixem o país em paz e sossego.

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