O saber não ocupa lugar

 

A Helena Damião pergunta:

“Se a caligrafia tradicional não se usa em mais lado nenhum a não ser na escola porque é que deve ser aprendida? Eis a pergunta que a referida senhora deixou no ar e à qual não sei responder. “

E eu pergunto:

Se a memorização tradicional da tabuada não se usa em mais lado nenhum a não ser na escola, porque é que deve ser aprendida?

Tudo o que é tradicional só deixa de fazer sentido se se provar, clara- e evidentemente, que vai contra valores éticos racionalmente fundamentados; ou se se demonstrar que é negativo para a adaptação humana a novas condições de existência.

A aprendizagem, seja do que for, não se pode reduzir ao útil (“útil” no sentido de “utilidade prática”); se assim fosse, as máquinas de calcular substituiriam a aprendizagem da tabuada. Até as profissões manuais — por exemplo, a de carpinteiro — têm uma componente artística que não se reduz ao útil. Por outro  lado, todo o conhecimento não seria possível sem a tradição — até a ciência depende da tradição.

Quando se abole a aprendizagem da caligrafia na escola primária, os motivos invocados não vingam, porque o saber não ocupa lugar. Do que se trata é de um corte preconceituoso e irracional em relação a uma tradição pedagógica (que tem milhares de anos!); é mais um acto falhado da cultura ocidental actual.

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