Os valores (da ética) não podem ser deduzidos de qualquer utilidade

 

Os valores (da ética) existem por si mesmos, e não podem ser deduzidos de qualquer utilidade.

Assim, por exemplo, o valor da justiça vale por si, o que pode ser compreendido por cada ser humano. Se fizéssemos depender o valor da justiça de algo que não estivesse — de um modo ou de outro — já incluído no seu significado; se deduzimos o valor da justiça da utilidade ou de uma oportunidade política, o valor da justiça estaria em uma situação muito precária.

Se uma coisa é boa porque é útil, ou é boa porque alegadamente beneficia o indivíduo e/ou a sociedade — então, em relação a um dos familiares que adoeceu na própria casa com uma infecção mortal: ¿é mais correcto abandonar a casa, de modo a não transmitir a infecção, ou cuidar do doente, mesmo que já não exista qualquer esperança?

Para a sociedade, seria mais útil (e a maioria das pessoas certamente que beneficiaria) se, por exemplo, doentes infectados com o vírus Ébola fossem abandonados ao seu destino, para que a causa da doença permanecesse isolada. Recentemente, em África, também seria mais útil para as enfermeiras católicas (as freiras) se se tivessem mantido afastadas, em vez de terem morrido por cuidarem dos doentes.

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