Theodore Dalrymple, Tocqueville e o Islão na Europa

 

Theodore Dalrymple ( aliás, Anthony Daniels) é um agnóstico que merece ser lido — coisa rara. Vale a pena ler este artigo dele acerca do romance “Submissão” de Michel Houellebecq.

A referência de Theodore Dalrymple à  Igreja Católica do “papa Francisco” é notória:

“but Catholicism having lost its faith and becoming, under Pope Francis, little more than transcendental social work to the hosannas of the right-thinking, there is no living faith in France except Islam for him to convert to. It is Islam, faute de mieux.”

Bingo!

O texto de Theodore Dalrymple faz lembrar um trecho do livro “Democracia na América” de Tocqueville, mas desta vez aplicado à  Europa e em um cenário incomparavelmente mais negro. Como escreveu Mark Steyn: “Europe is doomed!”.

Tocqueville constatou os perigos da democracia: por um lado a mentalidade individualista que paradoxalmente encoraja um conformismo generalizado; por outro  lado, a democracia apela à  centralização e reforço do Estado. Contra factos não há argumentos.

A democracia conduz à  atomização da sociedade se não existirem “contrapesos” no liberalismo político: a liberdade de associação, a imprensa livre, e a religião cristã. Sem estes três contrapesos, a democracia tem os seus dias contados. Tocqueville foi profeta.

Theodore Dalrymple segue a linha de pensamento de Tocqueville mas aplicando-a à  Europa actual: o vazio da existência humana em uma sociedade de consumo sem fé religiosa, sem projecto político (o centrão político acomodado que se alterna no Poder sem se diferenciar), e sem uma ténue garantia de continuidade cultural (invasão muçulmana), sociedade essa em que — graças à  abundância material e ao Estado Social — não existe uma razão real para lutar por um sentido de vida.

Paradoxalmente, o jornal Charlie Hebdo alegadamente representa (também) a liberdade de imprensa — um dos “contrapesos” de Tocqueville — mas representa também a crítica radical a qualquer religião incluindo a religião cristã — sendo que a religião cristã é um dos contrapesos do liberalismo político, segundo Tocqueville. Ou seja, os alicerces da democracia na Europa estão já em conflito uns com os outros.

Theodore Dalrymple escreve que o Iluminismo está na raiz do falhanço europeu actual. Tendo afastado da vida humana o mito e a magia, acabou por esmagar a fé — não só a fé  e a esperança religiosas, mas também a fé e a esperança na própria sociedade. A bravura e o entusiasmo, características da fé, deram lugar ao conforto e à conveniência (utilitarismo), e a degeneração e decadência da Europa são os resultados inevitáveis.

Theodore Dalrymple conclui que a Europa está doente, mas o Islão não cura a doença: pelo contrário, piora o estado de saúde da Europa.

Eu acrescento que a Front Nationale de Marine Le Pen em França não é solução porque o seu laicismo trata o Islão e a cristandade da mesma maneira; nem o UKIP (United Kingdom Independent Party) é solução para o Reino Unido pelas mesmas razões.

Ou seja, a Europa está doente mas nega o diagnóstico: está em estado de negação. Não aceita as razões objectivas para mudar de vida e curar-se. E a Igreja Católica do “papa Francisco” faz o papel do Pai de Santo do Umbanda que receita umas mezinhas para tratar uma metástase. 

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