O Frei Bento Domingues confunde religião com ciência (e outras confusões)

 

O Frei Bento Domingues pensa que “em terra de cegos, quem tem um olho é rei”. E tem razão. Só que o único olho dele é vesgo. Só uma criatura como o Frei Bento Domingues pode ser simultaneamente zarolho e vesgo de espírito.

O Frei Bento Domingues começa por se referir ao conceito de “verdade” no âmbito da religião, e depois passa imediatamente ao conceito de “verdade” na ciência, fazendo uma comparação ou colocando os dois conceitos em um mesmo plano de análise.

Há vantagens em não se julgar infalível. A primeira de todas talvez seja esta: o mundo não começou comigo nem vai acabar quando eu morrer. Os que jogaram ou jogam na ficção da infalibilidade gostariam de parar o tempo que vai medindo todas as mudanças.

A verdade, no entanto, nunca é uma posse definitiva, mas um horizonte irrenunciável que exige um trabalho nunca acabado. A busca da “teoria de tudo”, para explicar o universo, pode ser um grande motor de investigação, mas por enquanto ainda vive no campo dos sonhos fecundos.”

Ora, ou o Frei Bento Domingues é burro, ou então pensa que os católicos são vesgos como ele — o que vai dar no mesmo.

Em ética e na religião, a verdade decorre de valores intemporais — valores que não têm tempo, ou pertencem a todas as épocas: estes valores não podem ser deduzidos de qualquer utilidade e existem por si mesmos.

Seria até mais adequado, em religião, falar de “certeza”, em vez de “verdade”. A certeza não se confunde totalmente com a verdade, porque o carácter subjectivo da certeza aproxima-a da convicção. A certeza proíbe, em princípio, a dúvida.

Em ciência, a verdade obedece a paradigmas que são produto de cada época específica. Em ciência, o que é verdade hoje pode não ser amanhã. Na religião, as coisas não se passam assim senão na mente canolha do Frei Bento Domingues.


“Há pessoas e instituições que retardam, quanto podem, as mudanças. A chamada cultura tradicional procura assegurar a reprodução do passado no futuro. O método era o da iniciação das crianças nas teias do passado e acrescentar-lhes um feitiço, um tabu, que desgraçaria a vida de quem violasse essa herança. A cultura moderna coloca o acento na inovação do conhecer e do fazer: fazer acontecer o que nunca tinha acontecido e libertar o horizonte de preconceitos.”

Pelo facto de o Frei Bento Domingues ser vesgo de um único olho, não devemos nós descansar: devemos bradar a terreiro que o vesgo só tem um olho! Devemos persistir; quem porfia mata caça. Além disso, ele está mais com o olho vesgo para a cova do que para qualquer outra coisa. Esperemos que o Destino faça o seu trabalho.

O Frei Bento Domingues incorre na falácia ad Novitatem: tudo o que é moderno é bom, e tudo o que é antigo é mau. Se ele tivesse vinte anos, diria eu que ele padeceria da inexperiência vesga da juventude; mas sendo ele um vesgo serôdio, só nos ocorre constatar a sua desonestidade intelectual: Frei Bento Domingues é desonesto, merece descrédito e repulsa.

Para além da falácia ad Novitatem, ficamos sem saber quais são os novos preconceitos e os novos tabus que o Frei Bento Domingues defende para substituir os antigos — porque uma cultura sem tabus é um círculo quadrado. Porque se ele defende uma sociedade sem tabus e sem preconceitos, então ele deveria ser interditado com urgência, porque para malucos já nos bastam os que não escrevem nos jornais.

“Se há pessoas e instituições apostadas em retardar as mudanças, existem outras que as aceleram. O dogma da infalibilidade papal, no século XIX, pretendia parar o tempo, barrar o caminho a mudanças, sobretudo na Igreja, mesmo fora do âmbito restritíssimo da aplicação desse dogma. O importante era criar, nas pessoas e nos grupos, a ideia sub-reptícia de que tudo o que vinha de Roma trazia o carimbo da infalibilidade. Ressuscitava-se o adágio: Roma falou, assunto encerrado. Roma locuta, causa finita.

Este estilo serviu, maravilhosamente, para envenenar a questão dos ministérios ordenados das mulheres, nos anos 80-90 do século passado. Já no tempo de Paulo VI, a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) tinha apresentado as razões para impedir a admissão das mulheres ao “sacerdócio ministerial” (15.10.76).”

Todo o católico com algumas luzes da História sabe a origem do dogma da infalibilidade papal. E sabe que a infalibilidade papal é mais simbólica do que outra coisa qualquer. Mas o burro — arre burro! — interpreta a infalibilidade papal ad Litteram.

O burro não sabe distinguir um símbolo, por um lado, de um sinal ou de um facto, por outro lado. Quando o burro olha para a cruz, vê nela um sinal como as cavalgaduras vêem um sinal quando se lhes apresentam uma gamela, e nanjá o símbolo da cruz dos primeiros cristãos.

Portanto, o dogma da infalibilidade papal é perfeitamente pacífico porque se trata de um mero símbolo, e não de um facto. Mas a animália confunde símbolo e facto.

Quanto à ordenação de mulheres. A alimária pensa que a ordenação de mulheres é coisa moderna, progressista, prá frentex. É ver o estado a que chegou a Igreja Anglicana… um dia destes está a “casar” gays. Se o Frei Bento Domingues defende o “casamento” gay na Igreja Católica, devo dizer que talvez ele já não vá a tempo — embora saibamos que, com a vetustez, Deus tira-nos a “pica” mas não nos tira a ideia…!

Jesus Cristo tinha discípulos, mas não consta que tenha tido discípulas. Nem consta que, nos primeiros séculos de Cristianismo até ao Concílio de Niceia, tivessem existido discípulas mártires. Assim como sou contra que se coloquem mulheres nas frentes de batalha, assim sou contra a ordenação das mulheres — é uma posição fundamentada na Lei Natural. Em tempos de crise existencial, como aconteceu por exemplo durante o nazismo e o estalinismo, a fé mata.

Mas, o canolho de um olho só, pensa que as guerras acabaram, que as situações-limite nunca mais se repetirão na História, e que os cristão nunca mais serão perseguidos até à  morte como acontece hoje no Próximo Oriente. O vetusto zanolho não pensa na perseguição dos cristãos no Próximo Oriente: imaginem eventuais sacerdotisas católicas nas mãos dos radicais islâmicos… !

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