A psicose contra a propriedade privada

Alguém me chamou à  atenção para este vídeo de uma norueguesa que dá pelo nome de Ingunn Sigurdsdatter; e ao fim de 30 minutos parei de ver.

Antes de mais, um ponto de ordem que revela uma firme convicção da minha parte: a crescente influência política da mulher na nossa sociedade tem-se revelado muitíssimo negativa e perniciosa. Demonstrem-me que estou errado!. A mulher é, em juízo universal, guiada pela emoção e tende a negligenciar a razão. E quando a influência da emoção é preponderante, a sociedade tende para autodestruição. É muito raro ver uma mulher filósofa. Vemos muitas poetisas, mas a poesia não é filosofia propriamente dita.

Mas, afinal, ¿do que é que fala a  Ingunn Sigurdsdatter?

É muito difícil dizer do que ela fala porque ela mistura alhos com bugalhos. E quando alguém não sabe do que fala ou mistura alhos com bugalhos, é extremamente difícil “desmontar” qualquer raciocínio simplesmente porque não existe qualquer raciocínio digno desse nome para ser “desmontado”. ¿Como é que eu posso racionalizar o absurdo?! Impossível! Não é possível fazer um reductio ad absurdum do absurdo.

A base ideológica do discurso errático de  Ingunn Sigurdsdatter é o marxismo cultural ou utopia negativa, de Adorno e Marcuse. Mas a existência de uma base ideológica em um discurso não significa que necessariamente esse discurso tenha lógica ideológica. Aquele discurso é desprovido de nexo e de qualquer lógica.

É verdade que o capitalismo levado ao extremo actual, é negativo — aliás, G. K. Chesterton tinha previsto a situação actual do capitalismo selvagem (ou neoliberalismo) desprovido de qualquer fundamento ontológico.


David Hume, que era um conservador na política (por exemplo, foi contra o contrato social), cem anos antes de Karl Marx foi o primeiro moderno a colocar em causa a propriedade privada. Para Hume, embora a propriedade privada fosse um dos mais sagrados direitos, não deixava de ser uma ficção. Segundo Hume, a propriedade não é natural: “a sua aparente simplicidade dissimula, assim como a sua transferência, uma infinita complicação e repousa sobre sinuosidades mais delicadas da imaginação em luta com a utilidade”. 1

Na obra Four Dissertations de 1757 (Dissertação sobre as paixões), David Hume diz que “a propriedade é uma espécie de relação entre a pessoa e o objecto na qual a imaginação passa natural- e facilmente da consideração de um campo à  da pessoa ao qual pertence”, e 2 identifica esta relação  como uma “espécie de causalidade” que “dá à  pessoa a capacidade de produzir alterações sobre o objecto a fim de melhorar ou modificar a sua condição”.

Mas esta relação de propriedade — segundo David Hume — não existe do mesmo modo que, por exemplo, o conflito de interesses: é apenas uma ficção. A propriedade privada é simultaneamente impossível e indispensável. É “certo que, nada de real se produzindo pelo tempo, segue-se que a propriedade produzida pela longa duração [heranças] não é coisa alguma de real nos objectos, mas é gerada pelos sentimentos”. 3

David Hume seguiu a filosofia escolástica católica da Idade Média:  a propriedade privada é simultaneamente impossível e indispensável.

Karl Marx não trouxe nada de novo, depois de David Hume, senão a denúncia do capitalismo desumano marcado pelas ideias do Marginalismo. Ora, o que se vive hoje na Noruega da senhora  Ingunn Sigurdsdatter está muito longe de ser um capitalismo desumano! Por outro  lado, o “pensamento” da senhora  Ingunn Sigurdsdatter nada tem a ver, por exemplo, com o Distributismo de G. K. Chesterton que não era contra a propriedade privada em si mesma, mas antes era contra a concentração excessiva de capital como acontece hoje e como aconteceu também no século XIX (em termos práticos, voltamos hoje ao século XIX).

Resumindo, eu penso que  Ingunn Sigurdsdatter é psicótica. A psicose é um quadro psicopatológico clássico, reconhecido pela psiquiatria, pela psicologia clínica e pela psicanálise, como sendo um estado psíquico no qual se verifica certa perda de contacto com a realidade.


Notas
1. An Enquiry Concerning the Principles of Morals (1751)
2. Treatise of Human Nature
3. Treatise of Human Nature, III, 112

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