Ser um Mozart ou um Beethoven

Diz a Inês Teotónio Pereira, corroborando o CR7,  que “competir connosco próprios é a estratégia certa”. Foi o que fez Beethoven.

partitura-BeethovenSe analisarmos as pautas musicais originais de Beethoven, vemos ali muita rasura, muita emenda, muita “competição com ele próprio”.

Mas isso não aconteceu com Mozart: com este último, a música fluía para a pauta musical original com raras emendas, como se a partitura estivesse já escrita na cabeça dele e apenas fosse necessário passá-la para o papel.

Ser um Mozart ou um Beethoven aplica-se a indivíduos, mas não a povos.

Não há “povos Mozart” ou “povos Beethoven”: há “indivíduos Mozart” (em todas as áreas da actividade humana, e não só na música ou no futebol), “indivíduos Beethoven”, e outros indivíduos que não são nem uma coisa nem outra.

O que pode haver é uma cultura antropológica que incentiva os indivíduos de um povo a serem “Beethoven” quando não nascem “Mozart” — porque ser Mozart é um dom, uma dádiva que a Natureza, o Destino e as Estrelas concedem ao indivíduo.

Ninguém é Mozart porque quer: nasce-se Mozart. Mas se é verdade que Beethoven não nasceu Mozart, podemos eventualmente ser Beethoven se “competirmos connosco próprios”; mas nunca seremos Mozart só porque queremos ser.

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