O Novo Puritanismo politicamente correcto

 

A Helena Matos escreveu aqui um artigo que aborda o Novo Puritanismo.

O Novo Puritanismo já não tem nada a ver com a inibição sexual e com o combate ao despudor da cultura judaico-cristã: antes é agora o da depuração da linguagem até ao ponto em que seja impossível qualquer discurso que não seja o Diktat das elites políticas.

Trata-se de uma mistura da rígida rectidão moral antiga (mas invertida), por um lado, e por outro  lado de uma espécie de medo de contaminação por via da linguagem: o Novo Puritanismo impõe sistematicamente uma dissonância cognitiva no povo, ao ponto do cidadão, sentado na sanita, não saber “se há-de cagar ou se há-de dar corda ao relógio”.

A Helena Matos fala em “frenesim”. De facto existe no Novo Puritanismo um estado de ansiedade constante das elites políticas que incute na sociedade, através da propaganda dos me®dia, um pânico moral em relação ao qual ninguém está imune ao contágio.

O politicamente correcto é uma doutrina puritana promovida por uma minoria ilógica e desfasada da realidade (psicótica), e radicalmente propagandeada pelos me®dia sem escrúpulos, que defende o princípio segundo o qual é perfeitamente possível agarrar um cagalhão pela sua parte mais limpa. O Novo Puritanismo é farisaico e aspira a um perfeccionismo utópico e, por isso, está condenado a um frenesim e a uma ansiedade perpétuas.

O Novo Puritanismo é essencialmente de Esquerda — embora existam novos puritanos que se dizem de Direita mas que não tem a noção do que realmente são — e representa a persistência de duas tendências que os esquerdistas herdaram dos puritanos que surgiram da Reforma.

A primeira herança é a tendência para proibir em nome de uma “elevação moral” (a superioridade moral da Esquerda), embora segundo novos critérios morais invertidos. Thomas B. Macaulay escreveu o seguinte no século XIX: “os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores”.

Os novos puritanos já não se preocupam com o prazer sexual que tanto ocupava os velhos puritanos calvinistas: antes, preocupam-se agora com qualquer prazer do povo que não seja o sexual, porque o sexo (e a igualdade) passou a ser o fulcro ideológico a partir do qual irradia o Novo Puritanismo (inversão revolucionária da moral).

A segunda herança dos velhos puritanos é a exigência absoluta de uma pureza e sanidade assépticas em tudo quanto mexe, o que leva a que se conceba que possa existir uma parte limpa no cagalhão — porque a ideia de que o cagalhão possa ser totalmente sujo é insuportável para o Novo Puritanismo: tem que haver uma forma qualquer de transformar um cagalhão em algo assepticamente limpo!

Os sete pecados mortais do Novo Puritanismo são: racismo, sexismo, classismo (pertença a uma classe social), homofobia, nativismo (pertença a uma nação histórica), islamofobia, e xenofobia.

Qualquer pessoa que cometa um destes pecados mortais está condenado ao inferno na Terra. Ao contrário da misericórdia cristã que perdoa os pecados, o Novo Puritanismo não perdoa quem comete os novos pecados: o pecador é executado na praça pública.

No Novo Puritanismo — na sequência do gnosticismo da Antiguidade Tardia —, os crentes adquirem um senso de auto-valorização moral superior na medida em que se classificam a si mesmos como “os eleitos” (os novos Pneumáticos), e isto independentemente de quaisquer obras que façam ou deixem de fazer. São eleitos “porque sim”. E para validar o seu estatuto de eleição, os novos puritanos sentem-se compelidos a abusar dos “pecadores” até que estes reconheçam a culpa dos seus pecados mortais.

“O politicamente correcto é propaganda comunista em pequena escala. Nos meus estudos acerca das sociedades comunistas, cheguei à  conclusão que o propósito da propaganda comunista não era o de persuadir ou convencer, nem sequer informar, mas era o de humilhar; e, por isso, quanto menos ela (a propaganda) corresponder à  realidade, melhor serve o seu propósito de humilhar.

Quando uma pessoa é obrigada  permanecer em silêncio quando lhe dizem as mentiras mais óbvias e evidentes, ou ainda pior quando ela própria é obrigada a repetir as mentiras que lhe dizem, ela perde, de uma vez por todas, o seu senso de probidade.

O assentimento de uma pessoa em relação a mentiras óbvias significa cooperar com o mal e, em pequeno grau, essa pessoa personifica o próprio mal. A sua capacidade de resistir a qualquer situação fica, por isso, corrompida, e mesmo destruída. Uma sociedade de mentirosos emasculados é fácil de controlar. Penso que se analisarem o politicamente correcto, este tem o mesmo efeito e propósito.”

→ Theodore Dalrymple

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