A metafísica económica do Partido Socialista

 

O plano económico do Partido Socialista faz lembrar aquele gajo que tem uma camisa muito comprida e umas calças muito curtas: o cu fica tapado, é verdade; mas o andar dele torna-se difícil e desafia constantemente a lei da gravidade.

Em economia, como no andar, devemos aplicar o princípio da navalha de Ockham: “não devemos multiplicar as entidades não necessárias”. A economia de pensamento exige que se uma teoria resolve um problema de forma mais simples, não devemos complicar arranjando teorias mais rebuscadas. O Partido Socialista é ateísta na ontologia, mas altamente metafísico em economia. Ora, misturar metafísica e economia é tão perigoso como os talibãs que misturam religião e política.

Uma das características do plano metafísico do Partido Socialista é o presentismo, o que revela uma mentalidade incivilizada:

“A proposta que está no documento é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro. A necessidade disto é porque estamos numa situação em que é necessário relançar a procura agregada em Portugal. É isso que distingue significativamente esta proposta daquilo que tem sido feito pelo Governo – que é só actuar do lado da oferta e pensar que actuando só aí a economia começa a crescer. Nós achamos que não. Achamos que é necessário algum alívio para as famílias. No fundo, a redução da taxa contributiva dos trabalhadores para a Segurança Social vai aumentar o rendimento disponível das famílias.”

Ou seja, o cidadão “alivia-se” agora em qualquer lado, e alguém virá no futuro que trate da limpeza escatológica.

O que é importante é que o cidadão “se alivie” agora e a qualquer custo; se o cidadão do futuro passar fome e ganhar teias de aranha no cu, problema dele! A metafísica do Partido Socialista traduzida pelo Paulo Trigo Pereira faz lembrar a estória do professor espertalhão que pretendia ensinar um burro a ler, e a mando do rei: diz Paulo Trigo Pereira: “Não há problema!: em um ano, ou morre o rei (o Partido Socialista), ou morre o burro (o povo), ou morro eu”.

O problema da economia portuguesa é insanável enquanto existir a construção actual do Euro.

Tanto os sequazes de Passos Coelho como os de António Costa sabem disso. Aumentem o consumo interno e as importações disparam, e a dívida nacional não diminui. Mas se não aumentam o consumo interno, a economia só cresce para cerca de 5% da população; disparam as assimetrias sociais, e não há mais impostos sobre as heranças que valham: não me importava de ganhar mais 100% e pagar mais 10% de impostos sobre heranças. Preso por ter cão, e preso por não ter: o Euro assim obriga.

Isto é tão simples que não é necessário meter a metafísica no assunto. Deixemos a metafísica para os metafísicos.

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