O discurso absurdo do politicamente correcto é que não tolera o absurdo no discurso

 

Uma das características nefastas do politicamente correcto é a incapacidade da assunção do absurdo, exactamente porque vive e alimenta-se do absurdo. Na companhia de um grupelho politicamente correcto, é impossível contar uma anedota de alentejanos sem que sejamos olhados de soslaio; e uma anedota de gays, então, nem sequer tem direito a um sorriso amarelo.

Muitas vezes as anedotas são de mau gosto; mas não deixam de ser anedotas. Mas Francisco Louçã, e outros da sua (dele) laia, entendem o anedotário à letra: não concebem o absurdo no discurso talvez porque pretendam ter o monopólio cultural do absurdo. E sem a imposição do absurdo “intelectual” na sociedade, teríamos o Francisco Louçã a cavar batatas.

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2 respostas a O discurso absurdo do politicamente correcto é que não tolera o absurdo no discurso

  1. bla diz:

    Toda a gente entende que e’ uma tentativa pobre de humor. Mas essa tentativa de formular uma anedota, demonstra o raciocinio primario do autor em questao. Nao se pode defender esse raciocinio pelo facto de estar parcamente trajado sobre o formato de pretenso humor.

    • O. Braga diz:

      O que aconteceu é que o politicamente correcto tem muita dificuldade em entender o humor — são os novos puritanos.

      Por exemplo, a “segunda estratégia” do texto não pode ser desligada da “primeira estratégia”; existe no texto um conjunto ideológico e, por isso, não deve ser interpretado parcialmente. Mas o politicamente correcto tem imensa dificuldade em fazer uma síntese racional (seja do que for) porque concentra-se quase exclusivamente na análise.

      Por outro lado, só quem conhece as ideias da Esquerda em relação aos imigrantes ilegais pode compreender o humor do texto: quem vive no Brasil, por exemplo, pode estar desfasado do conteúdo ideológico do texto.

      O que o texto coloca a nu são duas posições radicais: a primeira, a do Bloco de Esquerda, que defende que os imigrantes ilegais devem ser melhor tratados do que os portugueses; a segunda, dos radicais nacionalistas, que defendem posições extremistas opostas à do Bloco de Esquerda.

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