Um paralelismo entre a Igreja Católica do Renascimento e a Eurofilia actual

 

Sobre este verbete e estoutro:

Durante a decadência política e moral do Renascimento, raramente os intelectuais ateus, e também os não-ateus que estavam contra a imoralidade do clero católico renascentista, colocaram frontalmente em causa a Igreja Católica. ¿E por quê? Porque o sistema decadente e o clero católico imoral convinham economicamente às elites da Itália.

Com o Renascimento, paradoxalmente os poderes económico e financeiro do papado aumentaram astronomicamente, mas diminuiu a sua autoridade espiritual. Mas como a Itália, no seu todo, ganhava do ponto de vista económico e financeiro com a imoralidade da Igreja Católica e com o aumento dos poderes mundanos do papa, quase toda a gente fechava os olhos perante a iniquidade do clero italiano em geral.

A situação chegou a um ponto tal que até o ateu e epicurista Lourenço Valla, que dizia o pior possível da Igreja Católica e acusara mesmo Santo Agostinho de heresia, foi nomeado secretário apostólico da Igreja Católica pelo papa Nicolau V.

Por aqui vemos a conjugação de interesses entre uma Igreja Católica imoral, materialista e mundana, por um lado, e por outro  lado os interesses materiais e financeiros das elites que, em geral, estavam contra a Igreja Católica — porque o que estava em causa era o viver bem à custa da extorsão pecuniária e da espoliação dos outros países católicos da Europa. Esta foi uma das razões da revolta protestante a norte. Todos os papas do período renascentista — até ao saque de Roma por Carlos V em 1527 — favoreceram o humanismo político e laico, e os humanistas políticos e ateus fecharam os olhos em relação à corrupção da Igreja Católica do Renascimento. Uma mão lava a outra. O que interessava era o vil metal.

Carlos V, o rei católico espanhol, saqueou Roma em 1527 e acabou com a iniquidade na Igreja Católica em Itália; mas a maior parte do seu exército era composto por protestantes holandeses e alemães, porque os católicos tinham reservas em combater contra os interesses dos papas do Renascimento, mesmo sabendo que eram iníquos.

Vemos neste trecho a complexidade política da relação entre poderes diferentes em um mesmo país e em relação a outros países.

Fazendo uma extrapolação para os interesses instalados do Euro em Portugal: mesmo os membros das elites que têm reservas em relação ao Euro, estão calados, porque têm interesses no status quo. Existem hoje em Portugal muitos Lourenço Valla que aceitam pactuar   tacitamente com o sistema eurófilo porque lhes cai alguma coisa no bolso. Só com um novo Carlos V e um saque a Lisboa — ou quiçá um saque a Berlim — a iniquidade do actual sistema terá termo.

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