O Ludwig Krippahl e o dogma religioso dos “gays que nascem assim”

 

G. K. Chesterton escreveu, e com razão, que “quando a perversão se transforma em convenção, surge a ilusão da familiaridade” 1.
Com o “casamento” gay, dá a sensação, para alguns, de que tomar no cu é familiar.

foi cesarianaDesde logo, a eterna ladainha que mistura a cor da pele com o buraco onde se mete o pénis. O que admira é que ainda haja gente estúpida que tenha em conta esse argumento. Ou seja, o “homem de ciência” Ludwig Krippahl, ao fazer essa comparação, acredita que “o gay já nasceu assim”, embora ciência diga que não há provas científicas de que “o gay nasceu assim”. Misturar o comportamento sexual gay com a cor da pele nos negros é um insulto aos negros: é a pior forma concebível de racismo.

Se “é consensual que a relação entre duas pessoas que constroem uma vida em conjunto deve ter reconhecimento legal”, ¿por que razão dois irmãos, independentemente dos sexos, não se podem casar? E claro que o “casamento” gay não é consensual nem nunca será; apenas nos parece ilusoriamente familiar porque a perversão dos costumes se tornou convencional.

Acontece que os cidadãos irlandeses — como os portugueses — não querem guerra com o politicamente correcto; baixaram os braços. Acham que baixando os braços conseguem um pouco de paz, face à agressividade verbal e física do movimento político gayzista e da classe política em geral. Porém, cedo verificarão que a “paz gay” não chegou nem chegará. A guerra gay é uma guerra radical que tem como objectivo destruir o “triângulo de truísmos que é o pai, mãe e filho” (G. K. Chesterton), o que significa a destruição da nossa civilização.

Escreve o idiota Ludwig Krippahl:

“Por isso, a tese de que duas pessoas devem ser proibidas de casar em virtude do seu sexo teria de ser muito bem justificada.”

Eu diria mais: a tese de que dois irmãos não se podem casar terá que ser muito bem justificada. Ou a tese segundo a qual um pai não se pode casar com a sua filha de 18 anos teria que ser muito bem justificada.

Parece que o Ludwig Krippahl pretende derrubar o tabu do incesto; e a seguir vem o derrube do tabu da pedofilia. O único tabu que merece existir é aquele que proíbe os tabus: viveremos em um sociedade em que não existem tabus naturais senão os tabus impostos coercivamente a toda a sociedade pelas elites políticas ao sabor da moda de cada época.


“Ratzinger tentou fazê-lo apelando à Bíblia e à doutrina católica e concluindo que não se deve permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque representa a «aprovação de comportamento depravado» e «obscurece valores básicos que pertencem à herança comum da humanidade». No entanto, fundamentar esta tese em crenças religiosas torna-a irrelevante para legislar numa sociedade laica.”

O argumento é o seguinte: se o papa disser que 1 + 1 = 2, trata-se de “uma tese fundamentada em crenças religiosas que se torna irrelevante para legislar em uma sociedade laica”.

Tudo o que o papa diz é crença religiosa. Se o papa disser que “tomar no cu faz mal à saúde”, apenas o diz por causa daquilo que está escrito na Bíblia, e portanto “não pode ser relevante para legislar numa sociedade laica”. O papa, pelo facto de ser papa, não tem qualquer validade naquilo que diz. Os axiomas da lógica não se aplicam quando assumidos pelo papa e/ou emanados do papa.

Depois vem o costumeiro argumento da “igualdade”:

“Além disso, um dos valores básicos mais importantes na nossa sociedade é o de que a lei seja igual para todos, independentemente da raça, credo ou sexo.”

Neste caso, a “igualdade”  significa a atribuição de um privilégio à casta social dos gays — o que é uma contradição em termos.

Por princípio, a igualdade perante a lei opõe-se aos privilégios; a igualdade perante a lei baseia-se em uma ideia de igualdade natural entre os homens. E como a ciência, a experiência humana milenar e o senso-comum nos dizem que “os gays não nascem assim”, não existe no “casamento” gay uma igualdade natural, mas antes existe um privilégio.

O “casamento” gay é um privilégio concedido a um determinado grupo sócio-cultural, e não um direito propriamente dito.

Depois vem o argumento de que os gays nascem assim:

“Começa por afirmar que «Tanto quanto sabemos a atracção por pessoas do mesmo sexo não é genética.» Além disto carecer de um fundamento empírico e de ser pouco plausível – não deve ser mera coincidência que a maioria das mulheres se sinta atraída por homens e a maioria dos homens sinta atracção por mulheres, sugerindo que os genes têm alguma influência nisto – este ponto é, acima de tudo, irrelevante. O que é relevante é que a orientação sexual não resulta de uma decisão livre. Tanto faz se é por causa dos genes se por cantar músicas do Frozen”.

No entanto, a ciência contradiz o argumento idiota:

“Eight major studies of identical twins in Australia, the U.S., and Scandinavia during the last two decades all arrive at the same conclusion: gays were not born that way.”

Identical twin studies prove homosexuality is not genetic

O Ludwig Krippahl entra em um dogma religioso que refuta a ciência, dizendo que “não existe fundamento empírico e de serem pouco plausíveis” os estudos científicos que demonstram que “os gays não nascem assim”. E para obviar à sua dissonância cognitiva, o Ludwig Krippahl remata com chave de ouro: “o que é relevante é que a orientação sexual não resulta de uma decisão livre”.

De um modo semelhante, poderíamos dizer que o comportamento do cleptómano não resulta de uma decisão livre; por isso, em nome da igualdade perante a lei, o cleptómano deveria ser autorizado a roubar. Naturalmente que vem a seguir o argumento lateral de que o “casamento” gay não prejudica ninguém, ao passo que o cleptómano prejudica outrem”; o verbo “prejudicar” é apenas concebido em termos do indivíduo atomizado, e não em termos da sociedade concebida como um todo.

Estamos aqui perante uma visão romântica do ser humano, em que o erro não é considerado do foro psicológico mas antes depende de padrões de valores, por um lado, e por outro lado, em contradição com o conceito romântico de “vontade”, trata-se de uma visão determinista em relação ao ser humano que lhe retira o livre-arbítrio. O romântico gosta de apreciar o leão a comer o cordeiro dentro da jaula; o pior acontece quando o leão sai da jaula…


Depois vem o sofisma naturalista que consiste em retirar conclusões morais de um facto:

“Silveira explica que «A atracção por pessoas do mesmo sexo não é natural», apesar da homossexualidade ser comum em muitos animais, «porque nós somos racionais» e porque «o homem foi feito para a mulher a mulher para o homem, isto é visível em primeiro lugar nos nossos corpos». No entanto, a complementaridade geométrica dos órgãos sexuais é visível também nos outros animais e a orientação sexual não tem nada que ver com racionalidade porque não resulta de uma decisão racional.”

Quanto mais lemos Ludwig Krippahl mais nos apetece andar de quatro patas.

O argumento é o seguinte: “na natureza há animais que têm comportamentos homossexuais; por isso, os comportamentos homossexuais no ser humano são naturais e, por isso, são bons”.

De igual modo, poderíamos dizer o seguinte: “há animais — por exemplo, os leões — que matam as crias das fêmeas para poderem acasalar com elas; por isso, matar as crias é natural e, ipso facto, matar as crias é bom”.

¿Será que o leitor compreende que o tipo de argumentação do Ludwig Krippahl é de uma indigência intelectual imune a toda a a prova? Será que o leitor ainda não percebeu que estamos entregues a uma elite de merda?!

E depois diz que “os animais também têm orientação sexual”:

“No entanto, a complementaridade geométrica dos órgãos sexuais é visível também nos outros animais e a orientação sexual não tem nada que ver com racionalidade porque não resulta de uma decisão racional.”

Talvez o gato do Ludwig Krippahl seja gay, porque, alegadamente, o facto de o gato ser gay “não resulta de uma decisão racional”.

O irracionalismo volta estar na moda, desta vez em nome da ciência.

Pelo facto de o gato dele ser gay, conclui que a orientação sexual é irracional e comum aos animais e aos seres humanos; e, por isso, tomar no cu é natural e bom.

Vamos definir “irracional”: é aquilo que é contrário ou inacessível à razão.

Perguntas:

  • ¿É irracional tudo aquilo que a razão humana não sabe explicar em um dado momento? (por exemplo, o fenómeno do trovão na antiguidade);
  • ¿ou é irracional o conjunto de fenómenos que nos escapariam por natureza? (por exemplo, os fantasmas, ou os milagres).

O facto de se responder positivamente à primeira pergunta revela a crença de um progresso constante da razão. E o facto de se responder positivamente à segunda postula a existência de limites da razão: as leis da razão humana não coincidem com as que regem o universo, e um certo número de fenómenos dependerão sempre de uma abordagem não racional.

O Ludwig Krippahl adopta a segunda resposta: trata-se de uma concepção religiosa do mundo, mas de uma religião anti-cósmica e negativa. O espírito do Ludwig Krippahl não é científico: antes é dogmático-religioso, embora próprio de uma religião negativa.


Nota
1. “The Everlasting Man”

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